Cuba e EUA se reúnem em Havana; Cuba exige fim de embargo energético
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Representantes diplomáticos de Cuba e dos Estados Unidos se reuniram em Havana, capital cubana, para uma rodada de conversas bilaterais focadas nas complexas relações entre os dois países. Confirmado na última segunda-feira (20) pelo diretor-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores de Cuba para os Estados Unidos, Alejandro García, o encontro teve como ponto central a veemente exigência de Cuba pela suspensão do embargo energético imposto por Washington, uma medida que a ilha caribenha classifica como uma punição injustificada à sua população.
Pauta Central do Encontro Bilateral
Durante as discussões em solo cubano, a delegação da nação insular, composta por vice-ministros das Relações Exteriores, elevou como prioridade máxima a revogação das restrições energéticas. O lado americano, por sua vez, foi representado por secretários-adjuntos do Departamento de Estado. García descreveu a sessão de trabalho como respeitosa e profissional, desmentindo especulações da mídia sobre possíveis imposições de prazos ou declarações coercitivas. “nenhuma das partes estabeleceu prazos ou fez declarações coercitivas, como foi mencionado pela mídia americana”, afirmou o diplomata. Ele ainda ressaltou a natureza discreta dessas reuniões, justificada pela sensibilidade dos temas em pauta na agenda bilateral.
A forte reivindicação cubana quanto ao embargo energético foi detalhada por García, que o caracterizou como uma forma de coerção global. “Eliminar o bloqueio energético contra o país era uma prioridade máxima para nossa delegação. Esse ato de coerção econômica é uma punição injustificada para toda a população cubana. É também uma forma de chantagem em escala global contra Estados soberanos, que têm todo o direito de exportar combustível para Cuba, de acordo com os princípios do livre comércio”, enfatizou o diretor-geral adjunto.
Origem e Impactos do Bloqueio Energético
O endurecimento do bloqueio contra Cuba, especialmente no setor de energia, remonta a 29 de janeiro, quando o então presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva. Esta declaração de estado de emergência nacional qualificou Cuba como uma ameaça “incomum e extraordinária” à segurança dos Estados Unidos, concedendo a Washington autonomia para sancionar países que tentassem fornecer petróleo à ilha, seja direta ou indiretamente. A consequência direta dessa política tem sido uma severa escassez de combustível, que afeta drasticamente o cotidiano e a economia da população cubana.
Perspectivas para o Diálogo Cuba-EUA
Apesar do cenário de sanções e tensões, o governo cubano reafirma consistentemente sua disposição em dialogar com as autoridades estadunidenses. Essa postura de abertura à comunicação é condicionada, no entanto, à condução das trocas com base no respeito mútuo e na não interferência nos assuntos internos de Cuba.
Em entrevistas recentes a veículos de comunicação americanos, como o Newsweek e o programa Meet the Press da NBC News, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel expressou a viabilidade de acordos em diversas áreas. Ele citou setores como ciência, migração, combate ao narcotráfico, meio ambiente, comércio, educação, cultura e esportes como potenciais campos para cooperação. Contudo, Díaz-Canel foi categórico ao frisar que qualquer diálogo deve ocorrer “em termos de igualdade”, assegurando pleno respeito à soberania, ao sistema político, à autodeterminação e ao direito internacional. O chefe de Estado reiterou sua posição: “Podemos negociar, mas à mesa, sem pressão ou tentativas de intervenção dos EUA.”
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-04/cuba-confirma-encontro-em-havana-com-delegacao-dos-eua
