Academia é condenada a indenizar aluno por advertência sobre short “curto demais”
Uma academia em Anápolis foi sentenciada a pagar R$ 20 mil de indenização por danos morais a Marcus Andrade, um aluno de 40 anos, após uma controvérsia envolvendo a vestimenta utilizada por ele durante os treinos. A decisão foi proferida pela juíza Luciana Araújo Camapum Ribeiro, do 3º Juizado Especial Cível de Anápolis, na última terça-feira (3/3).
O caso ganhou repercussão após o estabelecimento emitir uma nota nas redes sociais, considerada pela justiça como ofensiva à dignidade e honra do aluno. A postagem continha a frase: “Mais do que promover saúde física, a academia busca encantar e surpreender cada pessoa que passa ali com excelência, zelo e propósito, sempre para agradar e honrar a Deus.”
A juíza entendeu que a menção a “agradar e honrar a Deus” estabeleceu uma conexão religiosa inadequada ao caso, considerando que Marcus Andrade é gay, o que poderia gerar repercussões negativas. A academia tem o direito de recorrer da decisão.
O incidente que deu origem à ação ocorreu em 30 de junho de 2025, quando Marcus foi advertido por usar um short considerado “curto demais” para a prática de musculação. Em entrevista, Marcus relatou ter sido abordado por um funcionário que alegou que a vestimenta “prejudicava a segurança e comodidade dos demais alunos e que era contra as regras e padrões da academia.”
A academia, em nota, apresentou uma versão diferente, afirmando que a orientação foi feita de forma “privada e respeitosa” e que a vestimenta seria “inadequada para determinados movimentos de musculação.” Segundo a academia, foi sugerido o uso de uma bermuda de compressão por baixo do short, algo negado por Marcus, que afirma que a conversa se referiu aos “costumes” da academia.
“Em momento algum sugeriram isso. Eles estão dizendo que sugeriram porque estão fomentando na cidade o boato de que eu não estava usando peças íntimas, o que também é mentira,” desabafou Marcus. Ele questionou ainda como um exercício de costas poderia expor suas partes íntimas. “Como que um exercício de costas vai me deixar numa posição vulgar para expor minha cueca?”.
Marcus também expressou sua surpresa com a postura da academia: “Eu nunca imaginei que a academia fosse evangélica e que tivesse essa transferência de ritos e costumes evangélicos para dentro do ambiente comercial.”
A academia, por sua vez, reiterou que possui cláusulas contratuais sobre vestimentas, visando garantir “liberdade de movimento sem causar desconforto a terceiros, sempre com base no respeito mútuo, na empatia e na boa convivência.”
