Mural em SP homenageia vítima de feminicídio e marca início de ações pelo Dia da Mulher

Ato contra feminicídio inaugura mural em homenagem a Tainara em SP

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Um mural de mais de 140 metros, em homenagem a Tainara Souza Santos, vítima de feminicídio em novembro de 2025, foi inaugurado neste domingo na Marginal Tietê, em São Paulo. A obra, resultado do trabalho de grafiteiras e artistas visuais, marca o início da programação do governo federal em alusão ao Dia Internacional da Mulher.

O local escolhido para a homenagem é o mesmo onde Tainara foi brutalmente atacada e morta pelo ex-companheiro, Douglas Alves da Silva, em 29 de novembro do ano passado. Após ser atropelada e arrastada, a vítima não resistiu aos ferimentos e faleceu em 24 de dezembro.

O evento contou com a participação de movimentos sociais, sindicais, moradores do Parque Novo Mundo e parlamentares, além das ministras Márcia Souza (Mulheres), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e do ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar).

A ministra Márcia Souza destacou a importância do mural como um símbolo de restauração e transformação, afirmando: “A gente vai olhar para aquele muro pintado pelas grafiteiras e vai dizer: esse é o muro da restauração, da reparação, é o muro da transformação das nossas vidas, é o muro que vai ficar marcado neste território o que aconteceu como uma lição. Vamos ter a coragem de perguntar para cada menino, para cada menina, para cada jovem, para cada homem, o que está acontecendo?”.

Marina Silva, por sua vez, enfatizou a necessidade de combater o feminicídio, ressaltando o alto número de mulheres assassinadas diariamente no país: “O que nós estamos fazendo aqui é um ato em defesa da vida, um ato em defesa da dignidade de todas as mulheres. A gente tem o assassinato de quatro mulheres por dia. São cerca de 1.500 mulheres que são assassinadas a cada ano e isso é algo que precisa ser combatido por todas as pessoas, por toda a sociedade, em todos os lugares, em todos os momentos”.

Lúcia Aparecida da Silva, mãe de Tainara, emocionou os presentes ao falar sobre a dor da perda e a brutalidade do crime: “Ela era uma jovem cheia de vida que foi tirada de mim de um jeito que vocês mesmos viram, por um monstro. Foi atropelada, arrastada, presa embaixo de um carro, parecendo um saco de lixo, um animal. Perdeu as duas pernas, ficou sem a pele das costas, sem o glúteo. Gente, isso [o agressor] não é um ser humano”.

As artistas Katia Lombardo e Simone Siss coordenaram a criação do mural, que contou com a participação de mais de 35 mulheres grafiteiras. Siss explicou que a obra buscou retratar Tainara como uma pessoa alegre e apaixonada pela vida, incluindo elementos que remetem aos seus gostos e paixões: “Fiz a Tainara alegre, como ela me contou que ela era, coloquei os bottons ‘I love dance’ porque ela adorava dançar, os apaches [símbolos dos clubes] da Vila Maria, as mulheres da várzea. Então a gente está deixando uma mensagem de acolhimento para família e o mural com mensagens contra o feminicídio”.

Crica Monteiro, outra autora do mural, ressaltou que a principal mensagem da obra é um pedido para que as mulheres não sejam mortas: “Somos mulheres pintando nesse muro, um grupão de mulheres que se organizaram para fazer isso aqui. E significa a vida. Mantenha a gente viva para gente poder fazer as nossas coisas. E é também uma mensagem de amor e carinho para a mãe da Tainara porque elas moram aqui nessa região”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/ato-contra-feminicidio-inaugura-mural-em-homenagem-tainara-em-sp

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