Agressão dos EUA e Israel ao Irã: Troca de Regime e Disputa por Hegemonia?

Brasil condena ataques dos EUA e Israel ao Irã

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Especialistas em geopolítica e relações internacionais apontam que a nova ação militar dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, a segunda em menos de um ano, tem como objetivo a “troca de regime” em Teerã, buscando conter a expansão econômica da China e consolidar a hegemonia israelense no Oriente Médio.

Analistas questionam a justificativa de “ataque preventivo” contra um suposto programa nuclear iraniano. A professora Rashmi Singh, da PUC Minas, ressalta que enviados de Trump foram desmentidos pelo ministro de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, que mediou as negociações e afirmou que um acordo para limitar o programa nuclear iraniano estava próximo, com o Irã aceitando não estocar urânio enriquecido. Segundo Singh, “Os EUA e Israel entraram em guerra quando um avanço diplomático e a paz estavam ao alcance”. Para ela, o objetivo é instalar um governo favorável a Washington e eliminar obstáculos à hegemonia de Israel, além de fortalecer a posição política de Netanyahu.

O professor Robson Valdez, do IDP, argumenta que o foco é a disputa por poder no Oriente Médio e a tentativa de conter a influência iraniana, o que pode afetar a China, grande importadora de petróleo iraniano. O cientista político Ali Ramos complementa que, após o fracasso em derrubar o governo iraniano em 2025, essa nova investida seria necessária para garantir a supremacia estratégica de Israel.

O historiador Rodolfo Queiroz Laterza acredita que os EUA buscam retirar o Irã da rota econômica da China e Rússia na Eurásia, inserindo o conflito em uma “guerra comercial” pela supremacia global. O especialista em Oriente Médio, Mohammed Nadir, da UFABC, descarta a justificativa nuclear e aponta que o objetivo real é “acabar com qualquer possibilidade de uma potência pujante no Oriente Médio e manter a hegemonia de Israel.”

Roberto Goulart Menezes, professor da UnB, afirma que os EUA sempre usaram o programa nuclear como pretexto e que a política de Trump é “imperialista, uma política agressiva”. O sociólogo Raphael Seabra, também da UnB, define imperialismo como a “subordinação de países periféricos” por um país central que usa seu poder para seus próprios interesses.

As tensões entre Irã, EUA e Israel remontam à Revolução Islâmica de 1979, com o Irã sendo alvo de sanções econômicas desde então. Apesar das acusações, o Irã defende que seu programa nuclear é para fins pacíficos e se dispõe a inspeções internacionais, enquanto Israel nunca permitiu inspeções em seu programa.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-03/derrubar-ira-busca-deter-china-e-projetar-israel-dizem-analistas

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