Protesto na Paulista pede justiça por cão Orelha e expõe debate sobre maioridade penal
© Letycia Bond/ Agência Brasil
Um ato em memória do cão Orelha, torturado e morto por adolescentes em Santa Catarina, reuniu manifestantes na Avenida Paulista, em São Paulo, no último domingo (1º). Os participantes, muitos vestidos de preto e com camisetas estampadas com a imagem do animal e frases pedindo justiça, expressaram indignação com o caso ocorrido na Praia Brava, onde Orelha era cuidado por uma comunidade local.
O protesto, iniciado em frente ao Masp, se estendeu por horas, com palavras de ordem que cobravam punição para os responsáveis e clamavam por justiça. A discussão sobre a redução da maioridade penal ganhou destaque entre os manifestantes, com alguns defendendo a responsabilização criminal a partir dos 16 anos, principalmente em casos de crimes violentos.
A psicóloga Luana Ramos, presente no ato, defendeu a redução da maioridade penal, questionando a impunidade dos jovens envolvidos e criticando a tentativa de minimizar o crime por parte dos familiares. “Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Já teriam feito justiça com as próprias mãos, enquanto os quatro meninos brancos, ricos, estão indo à Disney. Isso não pode mais acontecer”, declarou.
A advogada Carmen Aires, que levou seus cães adotados ao protesto, compartilhou sua indignação e pediu leis mais rigorosas para crimes contra animais. Ela mencionou um segundo caso de violência envolvendo os mesmos jovens, no qual outro cachorro quase morreu afogado.
O casal Thayná Coelho e Almir Lemos, de Belém, engrossou o protesto, ressaltando a percepção de privilégio e impunidade associada à cor e classe social dos agressores. “A cor, a classe social. Acharam que tinham o direito e simplesmente foram e fizeram. Acharam que estavam no direito deles”, disse Almir. Thayná complementou, “Tem muito a ver também com o que é prometido a eles. O branco, principalmente o homem branco, classe média, classe média alta. É prometido a eles um privilégio. Eles sabem que têm esse privilégio. Acham que o mundo é deles, que podem matar.”
A manifestação evidenciou a crescente preocupação com os maus-tratos a animais e a necessidade de ações efetivas para coibir a violência, contando com o apoio de organizações como a Ampara Animal, que oferece recursos para a reeducação da sociedade.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-02/centenas-de-pessoas-em-sao-paulo-pedem-justica-pelo-cao-orelha
