“Anistia 79” Triunfa no Festival de Tiradentes e Celebra Cinema Brasileiro
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O documentário “Anistia 79”, dirigido por Anita Leandro, foi o grande vencedor do 29º Festival de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais, que se encerrou no último sábado. O filme conquistou tanto o Prêmio Carlos Reichenbach de Melhor Filme da Mostra Olhos Livres, eleito pelo Júri Oficial, quanto o prêmio de Melhor Longa pelo Júri Popular.
Emocionada com a recepção do filme, Anita Leandro descreveu a experiência em Tiradentes como a mais intensa de sua carreira, afirmando que “as pessoas em silêncio assistindo a esse filme, um filme difícil, sobre um assunto difícil, parecia uma liturgia”. A diretora expressou esperança de que o reconhecimento impulsione a circulação do documentário e o diálogo com novos públicos.
“Anistia 79” utiliza uma gravação inédita de uma reunião realizada em Roma em 1979, que defendia a anistia aos presos políticos da ditadura, transformando um registro de arquivo em uma experiência cinematográfica. O júri destacou a apropriação criativa do material amador, que multiplica as possibilidades de cada fotograma, e a potência política do filme, que ilumina personagens pouco presentes no imaginário sobre a luta contra a ditadura, reafirmando o cinema como espaço de construção da memória.
Na Mostra Foco, dedicada aos curtas-metragens, “Entrevista com Fantasmas”, de LK, foi eleito o Melhor Curta pelo Júri Oficial. O Prêmio Canal Brasil de Curtas foi para “Grão”, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, enquanto o Júri Popular premiou “Recife Tem um Coração”, de Rodrigo Sena.
A programação do último dia do festival também incluiu a exibição de “O Agente Secreto”, que concorre ao Oscar, atraindo grande público e longas filas. Além disso, foi exibido o documentário “Copacabana, 4 de maio”, de Allan Ribeiro, que revisita os bastidores do show de Madonna no Rio de Janeiro em 2024. Houve também a projeção ao ar livre do longa “Ladeiras da Memória – Paisagens do Clube da Esquina”, sobre o movimento musical mineiro.
A edição deste ano homenageou a atriz, roteirista e diretora Karine Teles, além de Julio Bressane, Miguel Falabella, as produtoras Sara Silveira e Elisa Lucinda. Debates e encontros reuniram nomes como Letícia Sabatella e Frei Betto.
Os organizadores estimam que cerca de 38 mil pessoas participaram das atividades, injetando aproximadamente R$ 10 milhões na economia local. Ao longo dos nove dias de programação gratuita, foram exibidos 137 filmes brasileiros, selecionados em 21 mostras e sessões especiais.
Com o tema “Soberania Imaginativa”, a edição buscou refletir sobre a invenção como gesto central do cinema brasileiro contemporâneo. Segundo a coordenadora da Mostra, Raquel Hallack, o objetivo foi pensar o cinema como exercício de autonomia criativa e política. “Falar em soberania imaginativa é afirmar o direito de criar imagens próprias, narrativas próprias e modos próprios de existir no mundo”, afirmou.
O 4º Fórum de Tiradentes – Encontros pelo Audiovisual resultou na Carta de Tiradentes 2026, que aponta como urgências a regulação das plataformas de streaming, a formação de público e a convergência de políticas públicas para reduzir desigualdades regionais e fortalecer o audiovisual brasileiro.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-02/mostra-de-tiradentes-encerra-29a-edicao-com-vitoria-de-anistia-79
