Trump anuncia bloqueio total a petroleiros da Venezuela e acusa Maduro de terrorismo
© JONATHAN ERNST
A escalada das tensões entre Estados Unidos e Venezuela atingiu um novo patamar nesta semana, com o presidente americano Donald Trump anunciando um bloqueio total a navios petroleiros sancionados que entram e saem do país sul-americano. A medida, divulgada na última terça-feira (16), eleva o risco de instabilidade na região e já provocou reações internacionais.
Trump, através da rede Truth Social, afirmou que a Venezuela está cercada “pela maior Armada já reunida na história da América do Sul” e prometeu aumentar a presença militar na área. O presidente americano acusou Nicolás Maduro de financiar um “regime ilegítimo” com o petróleo venezuelano, associando o governo a “terrorismo ligado a drogas, tráfico de pessoas, assassinatos e sequestros”.
“Pelos roubos de nossos bens e por muitos outros motivos, incluindo terrorismo, contrabando de drogas e tráfico de pessoas, o regime venezuelano foi designado como uma organização terrorista estrangeira”, declarou Trump.
Segundo o site Axios, ao menos 18 embarcações punidas pelos EUA estariam em águas venezuelanas no momento do anúncio.
O governo venezuelano não tardou a responder, classificando a ação como uma “ameaça grotesca” e “absolutamente irracional”. Em comunicado, Caracas reiterou sua soberania sobre os recursos naturais e o direito à livre navegação, prometendo denunciar a medida na ONU como uma “grave violação do Direito Internacional”. “A Venezuela jamais voltará a ser colônia de império algum ou de qualquer poder estrangeiro”, enfatizou o comunicado.
Apesar do bloqueio anunciado, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodrigues, garantiu nesta quarta-feira (17) que “as operações de exportação de petróleo bruto venezuelano e de seus derivados seguem em funcionamento, apesar da tentativa de bloqueio ilegal e ilegítimo, por meio de esquemas seguros e garantias plenas”.
A situação gerou preocupação internacional. A Rússia, por meio do Ministério das Relações Exteriores, alertou para “consequências imprevisíveis para todo o Ocidente”, enquanto a China, representada pelo chanceler Wang Yi, rejeitou “toda forma de assédio unilateral” e reafirmou seu apoio à soberania venezuelana.
O endurecimento das sanções e a escalada retórica entre Washington e Caracas reacendem o debate sobre a crise humanitária e política na Venezuela, impactando diretamente a economia do país e a vida dos cidadãos goianos que possuem familiares e amigos vivendo em território venezuelano, que acompanham apreensivos os desdobramentos da situação.
