Governo Federal Lança Painel Interativo sobre Gastos Climáticos de 2010 a 2023
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
A partir desta terça-feira, a população brasileira tem acesso facilitado aos dados sobre os gastos climáticos do governo federal, referentes ao período de 2010 a 2023. Um novo painel interativo, resultado da colaboração entre o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e o Ministério da Fazenda, permite identificar e acompanhar as despesas relacionadas a mudanças climáticas, biodiversidade, gestão de riscos e desastres.
A iniciativa, denominada Painel Gastos Climáticos, surge da necessidade de uma metodologia padronizada para identificar e acompanhar os investimentos federais nessas áreas, antes dificultada pela ausência de um sistema unificado, como apontado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento.
O levantamento revela que o Governo Central investiu R$ 782 bilhões entre 2010 e 2023, sendo a maior parte destinada à agenda climática (R$ 421 bilhões), seguida pela proteção da biodiversidade (R$ 250 bilhões) e pelo gerenciamento de riscos e desastres (R$ 111 bilhões). O novo painel, segundo a pasta, “trará dados consistentes para avaliar a execução de políticas como o Plano Clima e o Plano de Transformação Ecológica.”
A análise dos dados revela uma mudança no perfil dos investimentos ao longo do tempo. Até 2015, os valores eram mais elevados, sofrendo uma queda subsequente influenciada pelo aperto fiscal, pela criação do teto federal de gastos e pela interrupção do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de 2020 a 2022, como explica o Ministério do Planejamento e Orçamento. A expansão de emendas parlamentares, com menos de 5% destinadas ao clima, também contribuiu para a redução.
Além da diminuição no volume, houve uma alteração no tipo de gasto. As despesas com adaptação e gerenciamento de riscos aumentaram de 24% em 2010 para quase 70% em 2023, indicando uma concentração de recursos em respostas a eventos extremos já em curso.
A evolução dos gastos com biodiversidade apresenta um paradoxo, com despesas de impacto negativo superando as positivas. A construção de hidrelétricas, por exemplo, pode reduzir emissões, mas causa danos a ecossistemas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, é preciso avaliar cada ação com as “lentes” de mitigação e redução de emissões.
No que se refere a desastres, os gastos têm crescido devido à maior frequência de eventos extremos. A maior parte dos recursos é destinada à redução de riscos, enquanto governança e análise de riscos recebem menos investimentos. O aumento das despesas com seguros rurais, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), também impacta a conta pública.
O desenvolvimento do sistema, que levou cerca de dois anos, envolveu órgãos técnicos e entidades da sociedade civil. A metodologia foi desenhada para ser replicada por estados, municípios e outros países. O painel interativo e o relatório completo estão disponíveis no site do MPO, permitindo uma visualização detalhada da aplicação dos recursos públicos nessas agendas.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-12/governo-lanca-painel-inedito-para-rastrear-gastos-ambientais
