Agressão a jornalistas e corte de sinal da TV Câmara geram repúdio e pedidos de apuração.
© Frame Deputado Glauber Braga/Facebook
Entidades de defesa da liberdade de imprensa e associações de veículos de comunicação manifestaram repúdio à remoção de jornalistas e agressões sofridas por eles na Câmara dos Deputados. O incidente ocorreu após o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupar a presidência da Casa em protesto contra o anúncio de que seria levado ao plenário o pedido de sua cassação, juntamente com os processos de Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ). Após a ocupação, Braga foi retirado à força pela Polícia Legislativa Federal.
O episódio foi marcado pelo corte imediato do sinal da TV Câmara e pela retirada de jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e assessores de imprensa do plenário. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) classificaram o ocorrido como “extremamente grave o cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira”, denunciando agressões físicas e exigindo explicações do presidente da Câmara.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) também se manifestaram, afirmando que “o impedimento do trabalho de jornalistas e o corte de sinal da TV Câmara são incompatíveis com o exercício da liberdade de imprensa”. As entidades cobraram “apuração de responsabilidades para que tais práticas de intimidação não se repitam e que sejam preservados os princípios da Constituição Brasileira, que veda explicitamente a censura”.
Relatos e imagens indicam ação truculenta da polícia legislativa contra os profissionais de imprensa, com casos de repórteres, cinegrafistas e fotógrafos que precisaram de atendimento médico devido a agressões físicas. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) também criticou o episódio, notando que “a TV Câmara teve seu sinal cortado às 17h34, mesmo horário em que os jornalistas começaram a ser retirados do plenário.”
O presidente da Câmara, Hugo Motta, informou, em nota, que determinou a “apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa”, ressaltando a necessidade de proteger a democracia contra extremismos. Braga pode perder o mandato por ter agredido, com um chute, um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) no ano passado.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-12/entidades-criticam-retirada-da-imprensa-na-camara
