Lula convoca “mutirão educacional” contra a violência feminina após onda de feminicídios
© Valter Campanato/Agência Brasil
Em um esforço para combater a crescente onda de violência contra a mulher que assola o país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a intenção de convocar uma reunião com representantes dos três poderes e diversos setores da sociedade civil. O objetivo, segundo o presidente, é promover um “mutirão educacional” que envolva toda a sociedade no combate ao feminicídio e à violência de gênero.
Durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, em Brasília, Lula destacou a importância de engajar o Congresso Nacional, o Judiciário, sindicatos e representantes religiosos nesse esforço conjunto. “É importante envolver Congresso Nacional – Senado e Câmara -, a Suprema Corte, o Superior Tribunal de Justiça, os tribunais de Justiça dos estados, os sindicalistas, os evangélicos, é preciso todo mundo para gente fazer um mutirão educacional”, afirmou. Embora não tenha especificado uma data, o presidente manifestou o desejo de realizar o encontro ainda este ano.
Lula expressou indignação diante dos recentes casos de violência, mencionando o caso de Tainara Souza Santos, que teve as pernas amputadas após ser arrastada por um carro em São Paulo, e o feminicídio no Recife, onde um homem ateou fogo em sua esposa grávida e nos quatro filhos do casal.
O presidente enfatizou que o combate à violência contra a mulher é uma responsabilidade de todos, e não apenas das mulheres. “Combater o feminicídio, combater a violência, é uma tarefa das mulheres? Me perdoem, meus queridos homens, é uma responsabilidade nossa”, declarou, cobrando um maior engajamento masculino na luta. “A verdade nua e crua é que a violência só tem um lado. Quem tem que mudar de comportamento não são as mulheres, são os homens”, acrescentou.
Lula afirmou que fará do combate à violência contra a mulher uma prioridade em sua agenda política, defendendo a necessidade de um movimento nacional e de educação nas escolas. O tema tem sido recorrente em seus discursos e eventos oficiais. Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero revelam que cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras sofreram violência doméstica nos últimos 12 meses. Em 2024, o Brasil registrou 1.459 casos de feminicídio, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. Este ano, já foram contabilizados mais de 1.180 feminicídios e quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180.
Na conferência, o presidente também comentou sobre a Proposta de Emenda à Constituição 383/17 (PEC 383/17), que visa destinar um percentual mínimo da receita para o Sistema Único de Assistência Social (Suas). “Eu queria dizer para você que o Suas é possivelmente uma das coisas mais importantes que a gente criou. E se agora tem a PEC para ser votada, eu não posso prometer porque sou presidente da República, mas é preciso que a gente estude qual a viabilidade econômica de um dinheiro fixo para não ter que ficar brigando por orçamento todo ano”, disse. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, defendeu um acordo federativo em torno da proposta. “A PEC 383 tem que gerar o cofinanciamento do jeito que nasceu na educação e na saúde, tripartite, município, estados e governo federal, e é isso que temos que trabalhar”, afirmou. Durante o evento, foi criada a Mesa Nacional de Negociação Permanente do Suas, um fórum de diálogo com os trabalhadores da assistência social.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-12/lula-propoe-reuniao-dos-poderes-para-tratar-de-feminicidio
