“Maria, Maria” e a voz das “mulheridades” ecoam na 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

Brasília: conferencistas exigem políticas para todas as "mulheridades"

© José Cruz/Agência Brasil

Em Brasília, a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (CNPM) encerrou-se com um coro emocionado de quase 4 mil vozes entoando “Maria, Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, simbolizando a união e a força das mulheres brasileiras. O evento, que teve como tema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”, promoveu debates cruciais sobre desigualdades sociais, econômicas e raciais, o empoderamento feminino em posições de liderança, o combate à violência de gênero e a implementação de políticas de cuidado.

Um dos destaques da conferência foi a disseminação do conceito de “mulheridades”, que visa reconhecer e valorizar a pluralidade e a diversidade das identidades femininas no Brasil. Mulheres negras, com deficiência, LGBTQIA+, indígenas, quilombolas, jovens, idosas, mães atípicas, representantes de comunidades tradicionais, ciganas, migrantes e refugiadas trouxeram suas experiências e demandas para o centro do debate.

Mayara Alice Zambon, de Jundiaí (SP), defendeu o respeito à diversidade e a importância do feminismo interseccional, parafraseando Simone de Beauvoir ao afirmar que “mulheres são mulheres em sua totalidade. Ninguém nasce [mulher]. Se torna uma”. Dalvilene Cardoso, enfermeira do Maranhão, clamou pelo fim da exploração no trabalho e da violência de gênero, exigindo mais respeito e educação para as mulheres.

Vanessa Cornélio, produtora cultural de São José do Rio Preto (SP), denunciou o capacitismo e a infantilização enfrentados pelas pessoas com deficiência, ressaltando a necessidade de políticas educacionais que desmistifiquem preconceitos e reconheçam o potencial de cada indivíduo. Magna Caibé, liderança indígena da Bahia, combateu a ideia de que a violência contra mulheres indígenas seja parte da cultura, afirmando que “a violência não é cultural” e que sua luta é para dizer “não” a essa realidade.

Maria Elisângela Santos, professora de Aracaju, defendeu a igualdade racial e de gênero, buscando uma sociedade onde todas as mulheres, independentemente de raça, religião ou identidade, tenham acesso aos mesmos direitos e oportunidades. Ana Eva dos Santos, estudante de direito, compartilhou sua experiência como mulher trans e a importância de espaços de diálogo para a construção de políticas públicas inclusivas.

Iyá Nifá Ifálere, sacerdotisa de umbanda, reivindicou respeito às mães de axé, muitas vezes invisibilizadas e marginalizadas. Cristiana Rocha Diniz, secretária municipal da Mulher de Tutóia (MA), expôs a falta de recursos para proteger as mulheres vítimas de violência em seu município.

Francine Gagliotti, representante de São Paulo, expressou a esperança de que as políticas aprovadas na conferência cheguem a todas as mulheres do país, especialmente àquelas que enfrentam longas jornadas de trabalho e dificuldades para sobreviver.

As propostas debatidas e votadas durante a 5ª CNPM serão incorporadas ao Plano Nacional de Políticas Públicas para Mulheres, orientando o governo federal na formulação de ações para mais de 100 milhões de brasileiras. A ministra das Mulheres, Marcia Lopes, enfatizou que a conferência não se encerra em Brasília, mas deve continuar nos territórios de luta de cada participante, rumo à construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-10/brasilia-conferencistas-pedem-politicas-para-todas-mulheridades

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