Hidrogênio Verde: A Chave para um Aço Sustentável e um Futuro com Menos Emissões
© Miguel Ângelo/CNI
A produção de aço, essencial em diversas construções, historicamente tem sido uma fonte significativa de emissão de gases poluentes. Consciente desse impacto ambiental, a engenheira química Patrícia Metolina propõe uma alternativa inovadora: a utilização de hidrogênio verde na transformação do minério de ferro, tornando a indústria siderúrgica mais eficiente e sustentável.
A pesquisa de Metolina, premiada pela USP, demonstra o potencial do hidrogênio verde na transição energética. Atualmente, siderúrgicas brasileiras ainda não implementaram essa tecnologia, mas a Suécia já possui projetos-piloto validados industrialmente e comercialmente. Grandes empresas do setor estão investindo no “aço verde” para reduzir as emissões de CO?.
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançaram o Portal Brasileiro de Hidrogênio, plataforma online que visa disseminar informações estratégicas e atrair investimentos para o setor. O hidrogênio verde, obtido a partir de fontes renováveis, pode ser utilizado como combustível, na produção de amônia para fertilizantes e na fabricação de aço.
No processo tradicional de produção de aço, o minério de ferro é aquecido em fornos com coque de carvão, liberando grandes quantidades de CO?. A indústria siderúrgica é responsável por uma parcela considerável das emissões industriais e globais de CO?. A alternativa proposta por Patrícia Metolina utiliza hidrogênio verde, dispensando o uso de coque de carvão e gerando apenas vapor de água como subproduto.
O Brasil possui vantagens para a produção de hidrogênio verde, como a abundância de energia solar e eólica, especialmente no Nordeste, onde a proximidade com siderúrgicas facilitaria a produção de “aço verde” a custos mais competitivos.
A demanda global por hidrogênio deve aumentar significativamente até 2050, com um grande número de iniciativas em andamento. A América Latina concentra um volume considerável de investimentos nesse setor, impulsionado pelo potencial do Brasil em energias renováveis. Projetos liderados por empresas como Fortescue e Casa dos Ventos, focados na produção de fertilizantes nitrogenados, amônia e metanol, estão previstos para iniciar em 2026, com investimentos concentrados principalmente no Complexo de Pecém, no Ceará.
Fernanda Delgado, da ABIHV, destaca que o setor está em fase de transição, com projetos reais substituindo iniciativas especulativas, e a produção de amônia e metanol no Brasil deve começar por volta de 2029 ou 2030.
Apesar do potencial, a implantação do hidrogênio verde enfrenta desafios como os altos custos de produção, a falta de infraestrutura logística, a necessidade de um marco regulatório claro e a dependência do acesso à água para a eletrólise. Projetos como o da UFRJ, que inaugurou uma planta de produção de hidrogênio verde, enfrentam dificuldades relacionadas à qualidade da matéria-prima, manutenção de equipamentos e falta de investimentos.
A professora Andrea Santos, da Coppe/UFRJ, enfatiza a necessidade de investimentos públicos e privados para o avanço das pesquisas, a criação de normas técnicas e a adequação da infraestrutura, ressaltando que, apesar dos custos iniciais, a urgência da transição energética justifica o investimento nessa tecnologia promissora.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-09/hidrogenio-verde-enfrenta-desafios-para-cumprir-potencial-energetico
