Falta de centros de infusão no SUS coloca em risco tratamento de doenças autoimunes e raras
© Tomaz Silva/Agência Brasil
Um paciente de Guarulhos, São Paulo, Fernando Henrique dos Santos, de 42 anos, enfrenta dificuldades no tratamento de sua condição de saúde, que evoluiu de artrite reumatoide para espondilite anquilosante. Ele necessita do medicamento infliximabe, fornecido gratuitamente, mas a aplicação via infusão era realizada em Mogi das Cruzes através de um acordo entre o laboratório fabricante e o governo estadual. Com o fim do contrato, Santos passou a receber o tratamento por meio de seu convênio médico em uma clínica na capital paulista, pois o serviço não está disponível pelo SUS.
A situação de Santos expõe um problema maior no sistema de saúde brasileiro. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a falta de centros de infusão no SUS e de protocolos para a aplicação de medicamentos de alto custo coloca em risco o tratamento de doenças crônicas autoimunes e raras. O reumatologista Vander Fernandes, da SBR, aponta que, embora o SUS ofereça muitos desses medicamentos gratuitamente, existe uma lacuna entre a entrega do remédio ao paciente e um local adequado para a aplicação segura, com a devida atenção na manipulação, armazenamento e administração.
Fernandes reforça que a tecnologia de tratamento foi incorporada ao SUS há mais de 25 anos, mas o sistema entendeu que se tratava apenas de um remédio, sem considerar a necessidade de infraestrutura e equipe especializada para a aplicação, que em muitos casos exige soro, pré-medicação e observação de reações adversas. A falta de locais adequados pode comprometer a eficácia e segurança dos medicamentos, que muitas vezes exigem condições específicas de temperatura e armazenamento.
A SBR defende a criação de um regramento por parte do Ministério da Saúde para financiar e credenciar centros de terapia assistida em todo o país, permitindo que estados e municípios adiram a essa política. Um levantamento da SBR identificou apenas 61 centros de terapia assistida no Brasil, a maioria privada e concentrada no Sudeste, com apenas 11 deles possuindo contrato com o SUS. Estima-se que cerca de 20 mil pacientes realizem tratamentos com imunobiológicos de aplicação infusional endovenosa fornecidos pelo SUS, necessitando de assistência especializada.
Uma pesquisa da Biored Brasil, realizada em julho de 2023 com 761 pacientes que recebem medicamentos de alto custo do SUS, revelou que 10% não tinham acesso à aplicação e 46% não encontravam centros de terapia assistida próximos. Mais da metade dos pacientes (55%) declararam gastar entre R$ 150 e R$ 200 por aplicação, impactando sua renda familiar. Apenas 20% dos entrevistados realizam a aplicação em centros de terapia assistida do SUS.
O Ministério da Saúde informou que está analisando a criação de pontos para se tornarem centros de terapia intensiva, e o processo se encontra em fase de estudos técnicos.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-09/sociedade-de-reumatologia-defende-mais-centros-de-infusao-no-sus
