Inca aponta mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior entre mulheres negras
© Tomaz Silva/Agência Brasil
Um estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) identificou que, entre mulheres negras, a taxa de mortes por câncer de mama foi 3,8 vezes maior que entre mulheres brancas, segundo a publicação do instituto.
O dado está no primeiro volume da série “Disparidades Raciais e Câncer de Mama: um Olhar para a Saúde das Mulheres Negras”. A análise considerou mulheres de 50 a 69 anos e foi apresentada durante o evento Outubro Rosa, realizado no Inca da Praça Cruz Vermelha, no centro do Rio de Janeiro.
Câncer de mama exige prevenção
O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, afirmou que a diferença pode envolver características biológicas da doença e o acesso aos serviços de saúde. Segundo ele, o diagnóstico pode ocorrer mais tarde entre mulheres negras. Gil também defendeu políticas públicas que garantam acesso uniforme aos serviços e declarou: “O estudo mostra a necessidade de construir políticas públicas com equidade”.
O documento recomenda ações para reduzir fatores de risco modificáveis, como obesidade e consumo de bebidas alcoólicas. Também cita alimentação saudável, atividade física e aleitamento materno como práticas protetoras. A publicação estima que cerca de 17% dos casos possam ser evitados com hábitos saudáveis.
Gil afirmou ainda que mulheres negras consomem mais bebidas alcoólicas que mulheres de outras etnias e disse: “O consumo de bebida alcoolica está relacionada ao câncer de mama”. Desigualdades socioeconômicas, barreiras de acesso e situações de estresse ligadas às condições de vida também são apontadas como fatores que podem contribuir para as diferenças.
Diferenças aparecem no diagnóstico
A coordenadora da divisão de detecção precoce do Inca, Renata Maciel, explicou que mulheres brancas apresentam incidência maior da doença, mas as mulheres negras morrem mais. Ela relacionou o resultado ao acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento e afirmou que o subtipo triplo negativo, considerado mais grave, aparece com maior frequência entre mulheres negras.
O estudo também encontrou menor realização de exames de rastreamento entre mulheres negras. Renata disse: “As mulheres brancas fazem mais esses exames preventivos nessa faixa etária”. Rastreamento é a realização de exames em pessoas sem sintomas para procurar sinais da doença. Quando há alteração, o serviço de saúde pode indicar avaliação complementar.
A publicação recomenda considerar fatores ligados à ancestralidade e à genética para compreender as diferenças. A artesã Solange Barbosa de Freitas, de 57 anos, descobriu o câncer durante uma campanha de exame de rotina do Outubro Rosa, em 2019. Ela não tinha sintomas e contou: “A doença foi considerada delicada. Fiz três cirurgias, tirei uma das mamas e fiz a reconstrução”.
Créditos da imagem: © Tomaz Silva/Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
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