Justiça reconhece falhas da Enel em apagão de dezembro de 2025 em SP

© Paulo Pinto/Agência Brasil

O apagão em São Paulo levou a Justiça a reconhecer falhas no serviço prestado pela Enel Distribuição São Paulo durante as interrupções de energia provocadas pelo ciclone extratropical em 9 e 10 de dezembro de 2025. O episódio afetou mais de 2 milhões de consumidores.

A decisão foi tomada em uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). O tribunal rejeitou o argumento da concessionária de que o fenômeno climático, por si só, eliminaria sua responsabilidade pelos problemas registrados.

A Enel apresentou sua versão

Em nota, a empresa afirmou que sua atuação no evento climático iniciado em 10 de dezembro de 2025 foi compatível com a intensidade dos ventos, que permaneceram fortes por mais de dois dias. A Enel declarou: “Mesmo nesse cenário, a companhia apresentou resposta mais rápida do que nos eventos de novembro de 2023 e outubro de 2024”.

Segundo a concessionária, o trabalho restabeleceu o fornecimento para 2,5 milhões de unidades consumidoras em nove horas. Em 24 horas, cerca de 3,4 milhões de clientes afetados, equivalentes a 80%, já tinham o serviço normalizado.

A operação contou com aproximadamente 1,6 mil equipes ao longo do dia, conforme a empresa. A Enel também informou que empregou entre 25% e 33% mais equipes na retomada da transmissão do que o previsto no Plano de Recuperação apresentado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A decisão avaliou dados da rede

Para o MPSP, o ciclone provocou o início das interrupções, mas não explicou sozinho a extensão dos danos nem o tempo necessário para recompor o fornecimento. O órgão afirmou que eventos climáticos fazem parte dos riscos da atividade e não afastam automaticamente a responsabilidade da concessionária.

Dados da Aneel registraram 6.715 ocorrências de interrupção em 10 de dezembro. Destas, 3.056, ou 46%, levaram mais de 24 horas para ser solucionadas e atingiram, juntas, 759.304 unidades consumidoras. O MPSP informou ainda que houve clientes sem energia até o sexto dia após o evento e que a interrupção mais longa durou 142,8 horas.

A Justiça entendeu que a força do ciclone explica o começo das falhas, mas não a demora na recuperação do serviço. Na avaliação do tribunal, insuficiências de planejamento, manutenção e capacidade de resposta agravaram os prejuízos.

A ação civil pública é um instrumento usado para levar à Justiça pedidos relacionados a interesses coletivos. Nesses processos, o órgão autor apresenta fatos e documentos, enquanto a parte questionada pode contestar as acusações e apresentar sua própria versão, como fez a Enel.

Créditos da imagem: © Paulo Pinto/Agência Brasil


Com informações da Agência Brasil

Redação Extra News Goiás
Redação Extra News Goiás

O Extra News Goiás é um portal de notícias regional, no ar desde 2015, comprometido com um jornalismo ágil, claro e confiável. Cobrimos política, cidades, eventos, coluna social e tecnologia em Goiás. Todo o conteúdo é curado e revisado pela Agência Fourp's Marketing para levar até você informação de qualidade com a agilidade que o seu dia exige.

Sobre o Extra News Goiás →

What do you feel about this?