Diretora do Fundo Brasil Allyne Andrade defende que recursos cheguem a povos tradicionais

Recursos precisam chegar a povos tradicionais, defende Fundo Brasil

© Fundo Brasil/ Divulgação

Recursos para povos tradicionais precisam chegar diretamente aos territórios, segundo Allyne Andrade, diretora executiva do Fundo Brasil. Ela defende que a filantropia considere as comunidades afetadas pela crise climática e as organizações que atuam na proteção dessas áreas.

Em entrevista à Agência Brasil, Allyne afirmou que povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais sofrem os efeitos das mudanças climáticas, embora também preservem territórios no país. Para ela, o financiamento deve incluir apoio financeiro, técnico e programático.

Recursos para povos tradicionais seguem editais

O Fundo Brasil criou, em 2023, o programa Raízes, voltado à justiça climática. Desde então, a iniciativa destinou mais de R$ 6 milhões a projetos e respostas emergenciais para povos e comunidades tradicionais.

A diretora explicou que o programa oferece doações por meio de editais públicos. Organizações que trabalham nos territórios apresentam projetos, e comitês externos formados por especialistas participam da escolha das propostas que receberão recursos.

O Raízes também prevê respostas rápidas para situações de ameaça a lideranças e para eventos climáticos extremos. Segundo Allyne, a atuação contempla comunidades expostas a conflitos territoriais relacionados à grilagem, ao avanço ilegal da fronteira agrícola, à mineração e à exploração madeireira. A iniciativa também apoiou respostas emergenciais no Rio Grande do Sul.

Editais públicos são chamadas abertas para que organizações apresentem projetos conforme regras definidas pela instituição responsável. Depois da inscrição, as propostas passam por análise e, neste caso, por uma decisão compartilhada com comitês externos.

Em 20 anos, o Fundo Brasil destinou R$ 141 milhões a 2,5 mil iniciativas, de acordo com a diretora. Em 2025, foram R$ 32 milhões para organizações da sociedade civil, volume quase 20% maior que o de 2024.

Fundo Brasil mantém outras frentes

A fundação também financia ações ligadas ao trabalho digno, aos direitos dos trabalhadores e ao combate ao trabalho análogo à escravidão. Entre os grupos citados estão trabalhadores de aplicativo, profissionais do cuidado e empregados domésticos.

Outras linhas atendem organizações que atuam contra o racismo, inclusive o racismo digital, na defesa dos direitos digitais, no combate à violência contra pessoas LGBTQIAPN+ e na proteção de defensores de direitos humanos.

A instituição ainda apoia iniciativas contra a violência de gênero e projetos relacionados à justiça criminal, como a redução da prisão provisória e o combate à tortura no sistema prisional. Allyne disse que pretende aproximar a direção dos movimentos sociais e fortalecer a comunicação em defesa da democracia.

Allyne é advogada e doutora em Teoria Crítica. Ela ingressou no Fundo Brasil em 2020, como diretora executiva adjunta, após atuar no movimento antirracista e na área acadêmica.

Créditos da imagem: © Fundo Brasil/ Divulgação


Com informações da Agência Brasil

Redação Extra News Goiás
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