Casal surdo que vive há 16 anos em imóvel obtém proteção possessória durante ação de usucapião

Casal surdo que vive há 16 anos em imóvel obtém proteção possessória durante ação de usucapião

A Justiça de Goiás determinou a inclusão de intérpretes de Libras nos atos processuais envolvendo um casal surdo que busca a regularização fundiária de um imóvel em Goiânia. A decisão visa garantir a plena acessibilidade e participação dos moradores em um processo de usucapião.

A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) ajuizou a ação que resultou na decisão judicial, assegurando não apenas a presença de tradutores da Língua Brasileira de Sinais, mas também a manutenção do casal na posse da residência. A medida de urgência impede que os moradores do Jardim Novo Mundo sejam retirados do local enquanto a análise definitiva do pedido de propriedade não for concluída. O juízo concedeu gratuidade da Justiça e prioridade de tramitação em razão da deficiência auditiva dos autores, acolhendo o pedido da DPE-GO por acessibilidade.

O reconhecimento de uma posse antiga

A usucapião é um meio legal de adquirir a propriedade de um bem imóvel pela posse contínua e pacífica por um determinado período, conforme estabelecido em lei. Esse processo judicial busca reconhecer um direito já exercido na prática, permitindo a regularização da situação registral e a obtenção da matrícula do imóvel em nome dos ocupantes, após o cumprimento de todas as etapas judiciais.

História da ocupação

O casal, que reside há mais de 16 anos no imóvel em Goiânia, ocupa a área desde 2010, exercendo posse de forma contínua, pacífica e sem oposição. A aquisição do terreno, informada pelo valor de R$ 32 mil, ocorreu em um período em que o lote ainda não possuía documentação individualizada, o que levou à falta de regularização registral. Por isso, a DPE-GO ingressou com a ação de usucapião em maio de 2026, buscando formalizar a propriedade do imóvel que serve de moradia à família.

Próximos passos do processo

Para dar prosseguimento à ação, a Justiça determinou a realização de uma perícia técnica. Esse procedimento será fundamental para elaborar a planta e o memorial descritivo, individualizando a parcela do terreno objeto da disputa. Se a usucapião for reconhecida ao final, a perícia permitirá a abertura de matrícula própria no Cartório de Registro de Imóveis. A tramitação inclui ainda a citação dos proprietários registrados, dos confrontantes e dos órgãos públicos competentes antes que a Justiça analise o preenchimento dos requisitos para o reconhecimento definitivo da propriedade.

Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA

https://www.rotajuridica.com.br/casal-surdo-que-vive-ha-16-anos-em-imovel-obtem-protecao-possessoria-durante-acao-de-usucapiao/

Redação Extra News Goiás
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