Hepatite A volta ao Centro-Oeste com casos ligados a contato sexual

Estudo sobre hepatites virais traça panorama da doença em onze anos

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A hepatite A reapareceu no Brasil e registrou muitos casos na região Centro-Oeste. Homens com mais de 18 anos são os mais afetados, situação atribuída a novos comportamentos sexuais e à ausência de vacinação gratuita para essa faixa etária. Apesar de ser uma doença aguda, a hepatite A pode evoluir para quadros graves, mas é passível de prevenção por imunização.

Avanço da Hepatite A no Centro-Oeste

A reincidência da doença se deu por uma nova forma de contato reconhecida, que é o oral/anal durante o ato sexual. João Renato Rebello Pinho, coordenador do estudo e médico do Einstein, explicou que “é uma nova forma de contato que foi reconhecida, que é o contato oral/anal”. Segundo ele, isso faz com que pessoas se contaminem com material anal e o vírus. A doença, que teve início em grupos de homens que fazem sexo com outros homens, posteriormente se disseminou para outras populações sem vacinação. O especialista reforçou que “em relação à hepatite A, é importante ressaltar a importância da vacinação”. A transmissão por contato pessoal casual ou pela pele foi descartada; o contágio é mais difícil, necessitando de contato íntimo. A principal via de contaminação é alimentar, por água ou alimentos infectados.

Panorama nacional das hepatites

Uma pesquisa recente do Einstein Hospital Israelita traçou um panorama das hepatites virais no país. O trabalho, desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), analisou duzentos estudos publicados entre 2013 e 2024, envolvendo mais de 14,5 milhões de indivíduos. O objetivo central é gerar conhecimento para fortalecer as estratégias de prevenção e cuidado, auxiliando o Brasil a alcançar a meta de erradicar as hepatites virais até 2030. Os tipos A, B, C, D e E foram considerados no estudo, publicado na revista PLOS ONE. O médico João Renato Rebello Pinho observou que “em geral, as pessoas pensam mais nas hepatites B e C, porque são, de fato, bem frequentes”, e elas são frequentemente crônicas.

Desafios de outros tipos virais

As hepatites B e C são transmitidas principalmente pelo contato sexual ou sanguíneo, incluindo o uso de drogas endovenosas. A transmissão de mãe para filho durante a gravidez e o parto é bem controlada no Brasil, sendo rara para hepatite B e HIV atualmente. Embora a hepatite B tenha vacina e tratamentos eficazes, ela pode se tornar crônica, relacionando-se a cirrose e câncer de fígado. Já para a hepatite C, não há vacina, mas os tratamentos curam mais de 95% dos pacientes. A prevenção inclui sexo seguro e evitar contato com sangue.

A hepatite D, ou Delta, é considerada negligenciada por atingir populações de menor nível socioeconômico e ser muito frequente na região amazônica, especialmente em comunidades ribeirinhas com diagnóstico difícil. Somente quem possui o vírus da hepatite B pode contrair a hepatite D, e a coinfecção torna o quadro mais grave, com potencial para hepatite fulminante, cirrose e câncer de fígado. Por sua vez, a hepatite E, uma zoonose transmitida por animais como porcos, é menos conhecida no Brasil. A região Sul pode apresentar mais casos por causa da maior criação de suínos, mas ela é geralmente menos grave e, muitas vezes, passa despercebida.

O Programa Proadi-SUS

O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), criado em 2009, tem o propósito de aprimorar o Sistema Único de Saúde. Ele atua por meio de projetos de capacitação, pesquisa, avaliação e incorporação de tecnologias, além de gestão e assistência especializadas, que são demandados pelo Ministério da Saúde. Os recursos para essas iniciativas vêm da imunidade fiscal de sete hospitais filantrópicos de referência em qualidade médico-assistencial e gestão no país.

Prevalência e meta de eliminação

Os dados de soroprevalência revelam variações significativas. A hepatite A na população geral oscilou entre 33,3% e 67,8%, alcançando até 88,1% em populações vulneráveis. A hepatite B registrou prevalência de 0% a 7,5% na população geral, com as maiores taxas na Amazônia. Para a hepatite C, a taxa geral foi de 0,04% a 2,2%, sendo muito mais alta (36,9%) entre usuários de drogas. A hepatite D foi predominantemente relatada na Amazônia, com prevalência de 0% a 23,9%, enquanto a hepatite E apresentou valores mais elevados na Região Sul (0,9% a 59,4%). As informações levantadas no estudo servirão de base para gestores e profissionais de saúde planejarem ações alinhadas aos esforços nacionais para eliminar essas doenças até 2030.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-08/estudo-sobre-hepatites-virais-traca-panorama-da-doenca-em-onze-anos

Redação Extra News Goiás
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