Ministério da Saúde encaminha PreP injetável para prevenção HIV no SUS
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Goiânia (GO) — O Sistema Único de Saúde (SUS) pode começar a oferecer ainda este ano uma nova modalidade de profilaxia pré-exposição (PreP) para a prevenção do HIV, administrada por injeção. A medida, que representa um avanço significativo na saúde pública nacional, impactará diretamente os usuários do SUS em Goiás, ampliando as opções de acesso a tratamentos de prevenção contra o vírus.
O Ministério da Saúde formalizará o pedido de inclusão do medicamento carbotegravir na próxima semana, encaminhando-o à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec). A Conitec, um colegiado independente, será responsável por avaliar o custo-benefício e outros aspectos antes de recomendar ou não a incorporação, embora a decisão final caiba à pasta da Saúde.
Avanço na Prevenção e Impacto Local
A PreP injetável, que impede a replicação do vírus de forma prolongada e pode ser aplicada a cada dois meses, surge como uma alternativa à versão oral já disponível no SUS. Atualmente, mais de 350 mil pessoas em todo o Brasil, incluindo moradores de Goiás que utilizam o sistema de saúde, já têm acesso aos comprimidos de PreP oral, que exigem ingestão diária para garantir sua eficácia.
A principal vantagem da nova PreP injetável reside na melhor adesão ao tratamento. Um estudo da Fiocruz, envolvendo 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras, revelou que 83% preferiram a injeção. Além disso, 94% compareceram aos serviços de saúde no prazo correto para as aplicações, garantindo proteção contínua e sem registro de infecções pelo vírus entre os participantes. Outro estudo das farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK demonstrou alta eficácia, com uma taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1%.
Negociações e Desafios de Custo
A inclusão do carbotegravir no SUS depende das negociações de custo entre o governo e a farmacêutica GSK, produtora do medicamento. O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a empresa fez uma oferta com “preço adequado”, ressaltando a esperança em tecnologias de proteção prolongada, mas com a exigência de valores justos. “Nós vemos com muita esperança as novas tecnologias de proteção prolongada, mas exigimos que elas sejam oferecidas, sobretudo aos sistemas nacionais de saúde, com os preços adequados, não preços estratosféricos”, declarou Padilha durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro.
O custo foi um fator determinante na escolha do carbotegravir, já que um outro medicamento, o lenacapavir, que oferece proteção ainda mais prolongada (por seis meses), foi descartado devido a um “valor inviável”. Padilha explicou que, “mesmo o Brasil se dispondo a pagar até 10 vezes o valor que foi oferecido a países similares ao nosso, como Indonésia e Tailândia, a indústria ainda disse que não pode oferecer para o sistema nacional público com esse valor. Então nós não pagaremos. Não vamos drenar o recurso dos impostos dos cidadãos brasileiros pelo interesse de lucro de uma empresa”.
Acesso a Outras Tecnologias
Apesar de ter sido um dos países onde o lenacapavir foi testado, o Brasil ficou de fora do acordo de licenciamento voluntário assinado pela farmacêutica Gilead, que permitiria a produção de versões genéricas para distribuição em 120 países. Essa exclusão foi criticada por organizações como o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), que consideram o lenacapavir peça central para o fim da epidemia de Aids e defendem o acesso global ao medicamento.
Em nota, a Gilead expressou que compartilha a urgência de ampliar o acesso ao lenacapavir na América Latina e no Caribe. Para países fora do território de licenciamento voluntário, como o Brasil, a empresa busca “caminhos sustentáveis de acesso de longo prazo, alinhados às condições do mercado local e às prioridades de saúde pública”. A farmacêutica também informou ter assinado um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para explorar potenciais oportunidades de transferência de tecnologia que possam apoiar o acesso no Brasil e em toda a região.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-07/remedio-injetavel-que-previne-hiv-pode-entrar-no-sus-ate-o-fim-o-ano
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