Subsídio de R$ 0,35 ao diesel não será retomado, diz ministro

© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O governo federal decidiu manter os subsídios para a gasolina e parte do diesel, mas descartou a retomada de um benefício adicional de R$ 0,35 por litro do diesel, que havia sido suspenso no início de julho. A decisão foi anunciada pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, durante a apresentação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. A medida, tomada em um cenário de petróleo internacional se aproximando dos US$ 100 por barril, tem impacto direto nos custos de transporte e na inflação para os consumidores goianos.

Segundo o ministro, a avaliação da equipe econômica é que o aumento da cotação do petróleo “ainda não provocou impacto suficiente sobre os preços internos para justificar a retomada do benefício” adicional. Moretti explicou a estratégia governamental de moderação de preços: “Considerando nossa estratégia de suavização de preços, é preciso olhar o que está acontecendo no preço final ao consumidor. Hoje, entendemos que é importante manter o subsídio de R$ 1,12, segurar um pouco a estratégia de retirada gradual tendo em vista a piora do cenário, mas também entendemos que não justifica retomar o de R$ 0,35 até aqui”. O ministro destacou que a subvenção atualmente em vigor já representa um custo fiscal elevado para a União.

### Impacto direto para o Goiano

A manutenção dos subsídios existentes e a decisão de não ampliar os benefícios têm relevância particular para Goiás. O estado, com sua forte vocação agrícola e pecuária, depende intensamente do diesel para o transporte de cargas, escoamento da safra e operação de maquinários. Qualquer variação nos preços dos combustíveis se reflete diretamente nos custos de produção e, consequentemente, nos preços dos alimentos e outros produtos para o consumidor final em Goiânia e nas cidades do interior. A subvenção de R$ 1,12 por litro do diesel, com custo estimado em R$ 5,5 bilhões mensais, visa aliviar essa pressão, enquanto a manutenção do benefício da gasolina (R$ 0,79 por litro, custando R$ 1,3 bilhão por mês) busca proteger o poder de compra das famílias.

### Contexto e Custos Fiscais

A política de subsídios aos combustíveis tem acompanhado a volatilidade do mercado internacional de petróleo. Inicialmente, o governo havia começado a retirar gradualmente os auxílios após um acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que resultou na queda dos preços globais do petróleo. Foi nesse contexto que a subvenção adicional de R$ 0,35 por litro do diesel foi suspensa em 1º de julho. No entanto, a retomada de ataques na região do Oriente Médio voltou a pressionar as cotações, levando o governo a manter parte dos incentivos para evitar um repasse imediato e drástico aos consumidores brasileiros.

Até junho, o governo desembolsou R$ 14,55 bilhões em créditos extraordinários para mitigar os efeitos da alta internacional dos combustíveis nos preços domésticos. Desse montante, R$ 7 bilhões foram gastos em junho, e outros R$ 7 bilhões serão destinados em julho, incluindo R$ 3,3 bilhões provenientes de medida provisória e R$ 550 milhões relativos ao acordo para que os estados zerem o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel importado. Com a permanência de parte das medidas, a despesa deve continuar a crescer nos próximos meses.

### Arrecadação e Meta Fiscal

Parte do aumento das despesas com os subsídios tem sido compensada pela arrecadação proveniente do próprio setor de petróleo. O Brasil, como exportador líquido do produto, mantém um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto, uma medida para assegurar o abastecimento interno e evitar que a produção seja totalmente direcionada ao mercado externo. A expectativa inicial era arrecadar R$ 16,5 bilhões em quatro meses com esse tributo, e novas projeções de receita ainda não foram incorporadas ao Orçamento.

O Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas mantém a previsão de um superávit primário de R$ 10,8 bilhões para este ano. A meta fiscal estabelecida pelo governo é de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 34,3 bilhões, com uma margem de tolerância entre 0% e 0,5% do PIB. Apesar da necessidade de manter um bloqueio de R$ 17,9 bilhões em despesas para cumprir o limite de gastos, o Executivo não precisou realizar contingenciamento por insuficiência de receitas até o momento. O impacto adicional dos gastos com subsídios será incorporado na próxima revisão das contas públicas, conforme afirmou o ministro Moretti.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/subsidio-de-r-035-ao-diesel-nao-sera-retomado-diz-ministro

Redação Extra News Goiás
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