Alckmin: Lei da Reciprocidade não é retaliação aos EUA, diz
© José Cruz/Agência Brasil
Goiânia (GO) — O governo federal anunciou nesta terça-feira (21) um pacote de medidas para apoiar os setores exportadores brasileiros diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, detalharam as frentes de atuação, buscando mitigar os impactos de uma sobretaxa que atinge cerca de 18% das exportações nacionais para o mercado americano, um valor aproximado de US$ 7,4 bilhões, e que pode ter potenciais repercussões na economia de estados como Goiás.
### Lei da Reciprocidade e Resposta Institucional
Alckmin enfatizou que a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado, não deve ser interpretada como uma medida de retaliação, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro. “A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou o vice-presidente. A legislação oferece meios para uma resposta institucional, respeitando os trâmites legais, como consultas e audiências públicas.
O ministro Márcio Elias Rosa complementou, ressaltando a prioridade do governo em apoiar os produtores. “O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo”, afirmou.
### Pacote de Apoio e Setores Vulneráveis
A resposta do governo à sobretaxa americana está estruturada em três eixos principais: apoio financeiro às empresas, diversificação de mercados e diálogo permanente com os setores produtivos para dimensionar os impactos. Entre as medidas de apoio financeiro em estudo, está a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano, visando capital de giro e investimentos para as empresas afetadas.
Adicionalmente, o governo avalia flexibilizar temporariamente regras do regime de drawback, que permite a isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias destinadas à exportação. A proposta é oferecer mais prazo para exportadores que perderem mercado nos Estados Unidos, garantindo que não percam os benefícios tributários. Outro ponto em discussão é a possibilidade de ajustar exigências relacionadas à manutenção de empregos para os setores que venham a receber apoio emergencial.
A medida americana prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com a possibilidade de acréscimo de mais 12,5%. Os segmentos mais expostos a essas tarifas incluem eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças, calçados e outros produtos industriais. O mercado estadunidense é, inclusive, o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos e responde por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos. Em Goiás, a economia estadual, que possui indústrias em diversos desses setores, como o automotivo e o de máquinas e equipamentos agrícolas e industriais, pode sentir os reflexos das mudanças nas condições de exportação.
### Diversificação de Mercados e Cronograma
Paralelamente ao apoio interno, a ApexBrasil, agência estatal voltada à promoção de exportações brasileiras, intensificará a busca por novos destinos para os produtos do país. Entre os mercados prioritários identificados estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático. Há também um avanço nas negociações de acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), e Mercosul e Singapura. A diversificação dos destinos das exportações é vista como estratégica para reduzir a dependência do mercado estadunidense, especialmente para segmentos industriais de maior valor agregado, gerando novas oportunidades para o comércio exterior brasileiro.
O governo trabalha com um calendário considerado decisivo para definir as medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, é aguardada uma definição dos Estados Unidos sobre a eventual aplicação cumulativa de mais 12,5% de tarifa sobre os produtos brasileiros, decorrente de acusações de trabalho forçado. Já em 29 de julho, entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias que já estão em trânsito para o mercado americano. Até essa data, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir as reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para consolidar um diagnóstico dos impactos e definir o pacote de apoio. Uma missão oficial à Índia também está prevista para ampliar oportunidades comerciais, focando especialmente nos fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/reciprocidade-nao-e-retaliacao-nem-olho-por-olho-diz-alckmin
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