A Espanha encerrou um período de 16 anos de espera e gravou seu nome na história do futebol mundial novamente, ao conquistar o bicampeonato da Copa do Mundo masculina neste domingo (19). Em uma partida intensa no New York/New Jersey Stadium, a Fúria superou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, assegurando seu segundo troféu e consolidando uma nova geração de talentos no cenário esportivo internacional. O gol salvador, marcado por Ferran Torres, coroou uma campanha que marca o retorno espanhol ao topo.

O Golpe Decisivo na Prorrogação

O momento que definiu o título da Copa do Mundo para a seleção espanhola ocorreu nos primeiros instantes do segundo tempo da prorrogação. Após um cruzamento preciso de Pedro Porro vindo da direita, Nico Williams ajeitou a bola para trás na pequena área, e Ferran Torres, sem hesitação, finalizou de primeira, com força, para estufar as redes. O atacante, que representa o Barcelona, repetiu o feito do lendário Andrés Iniesta, que também defendia o clube catalão ao decidir o Mundial de 2010. No entanto, Ferran Torres, aos 26 anos, é oriundo do Valência e teve uma passagem pelo Manchester City antes de chegar ao Barça.

A Ascensão da Nova Geração Espanhola

A conquista na América do Norte é um testamento da força da nova safra de jogadores da Espanha, que exibiu a sexta menor média de idade do torneio, com 26,2 anos. Com este elenco jovem, a Fúria envia uma mensagem clara para a edição de 2030, da qual será uma das sedes: a equipe é forte candidata ao tricampeonato. Nomes como os meias Gavi e Pedri, e o atacante Nico Williams, que não terão completado 30 anos até lá, projetam uma longevidade de sucesso. Mesmo atletas mais experientes, como o volante Rodri (que terá 34 anos) e o lateral Marc Cucurella (32), podem integrar o elenco.

Entre os jovens talentos, Lamine Yamal se destaca. Com apenas 19 anos, o atacante se tornou o campeão mundial mais jovem desde Ronaldo, que tinha 17 anos no tetra do Brasil em 1994, embora o brasileiro não tenha entrado em campo naquela campanha. Yamal, apesar de uma atuação discreta na final, é visto como uma estrela da companhia espanhola e o quarto jogador mais novo da história a erguer a taça. O recorde pertence a Pelé, que com 17 anos e 249 dias, foi campeão na Suécia em 1958.

Recordes e Marcos Históricos do Bicampeonato

A vitória contra a Argentina em Nova Jersey não apenas garantiu o troféu, mas também estabeleceu dois marcos históricos para o futebol espanhol. Pela primeira vez na história, um país detém simultaneamente os títulos mundiais nas categorias masculina e feminina, visto que a Fúria feminina foi campeã em 2023, na Austrália e Nova Zelândia. No próximo ano, o Brasil sediará a Copa das Mulheres, e as espanholas buscarão manter essa unificação das taças.

Além disso, o triunfo na final elevou a Espanha à posição de seleção com a maior sequência invicta da história, somando 38 partidas sem derrotas e superando a marca da Itália, estabelecida entre 2018 e 2021. Curiosamente, a notável série de resultados positivos da Espanha teve seu início com um empate por 3 a 3 contra o Brasil de Dorival Júnior, em 26 de março de 2024, em Madri.

A Despedida de Messi e a Amargura Argentina

Do lado argentino, a derrota em Nova Jersey significou o adiamento do sonho do tetracampeonato e a impossibilidade de “vingar” a Copa de 1994, também realizada nos Estados Unidos, quando Diego Maradona foi suspenso por doping. A partida também marcou a despedida de Lionel Messi dos Mundiais. Aos 39 anos, em sua sexta participação, o camisa 10 encerra sua jornada em Copas com o título de 2022, dois vices (2014 e 2026) e o posto de segundo maior artilheiro da história do evento, com 21 gols.

Messi chegou a liderar a estatística de artilharia desta Copa, após sua estreia com a vitória por 3 a 0 sobre a Argélia. Contudo, ele foi superado no sábado (18) pelo atacante francês Kylian Mbappé, que alcançou 22 gols na derrota por 6 a 4 para a Inglaterra, na disputa pelo terceiro lugar, em Miami.

Uma Final de Xadrez Tático

Apesar da expectativa por um jogo tão movimentado quanto a final de 2022 ou a disputa do terceiro lugar no dia anterior, a decisão da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina foi marcada por nervosismo e poucas oportunidades claras. O primeiro tempo, em particular, refletiu a tensão do confronto, com ambas as equipes atuando aquém de seu potencial.

Primeiro Tempo: Domínio Estéril da Espanha

A Espanha assumiu a iniciativa na primeira etapa, mas sem conseguir converter em chances reais de gol. Aos quatro minutos, Lamine Yamal tabelou com Dani Olmo, invadiu a área pela direita e chutou, mas a bola desviou no zagueiro Lisandro Martínez, facilitando a defesa de Dibu Martínez. Aos 38, Fabian Ruiz acionou Olmo, que, com um toque de calcanhar, deixou para Mikel Oyarzabal de frente para o gol. O atacante optou pelo chute de primeira, parando em Dibu, quando Ruiz passava livre. Aos 42, Marc Cucurella arriscou de fora da área pela esquerda, mandando a bola rente à trave. A Argentina, por sua vez, não conseguiu efetuar nenhuma finalização antes do intervalo, evidenciando sua postura defensiva.

Segundo Tempo: Pressão Crescente e Expulsão Argentina

A volta para o segundo tempo viu a pressão espanhola se intensificar. Logo no primeiro minuto, o volante argentino Ezequiel Paredes, recém-entrado, cometeu um erro de passe na intermediária, permitindo que Alex Baena carregasse a bola e chutasse no canto esquerdo, obrigando Dibu a uma grande defesa.

A Espanha encurralava a Argentina, que mal conseguia passar do meio-campo, através de marcação intensa, pressão e rápida troca de passes. Aos 18, Olmo recebeu de Pedri na entrada da área e chutou, forçando mais uma defesa de Dibu. Pouco depois, aos 21, Yamal cruzou da linha de fundo pela direita, e Ferran Torres, também recém-integrado, cabeceou em cima do goleiro argentino.

Aos 31 minutos, o zagueiro Pau Cubarsi tentou de longe, e Dibu deu rebote. Mikel Merino teve a chance na pequena área, mas seu chute saiu alto e desviado. A missão da Argentina, já difícil, complicou-se ainda mais aos 47 do segundo tempo, quando o volante Enzo Fernández cometeu uma entrada forte em Cubarsi e recebeu o segundo amarelo, sendo expulso. Foi a primeira expulsão em uma final de Copa do Mundo desde Zinedine Zidane em 2006.

A Espanha teve uma última chance no tempo regulamentar aos 52 minutos, em cobrança de falta de Yamal perto da meia-lua. O atacante buscou o ângulo esquerdo, mas Dibu se esticou e espalmou, levando o confronto para a prorrogação – a primeira para os espanhóis e a terceira para os argentinos nesta Copa.

Prorrogação: Tentativa Argentina de Forçar Pênaltis

A estratégia argentina na prorrogação era clara: desacelerar o jogo ao máximo para desequilibrar a Espanha e buscar a decisão por pênaltis. No entanto, Dibu Martínez foi acionado logo aos dois minutos, defendendo uma cabeçada de Nico Williams após levantamento de Pedri. Três minutos depois, um gol da Espanha foi anulado. Pedro Porro cruzou da direita, e Merino ganhou uma dividida contra Nicolás Otamendi (que substituiu o lesionado Lisandro Martínez), deixando a bola para Nico Williams que mandou para as redes. O gol foi invalidado por falta de Merino, gerando desespero na equipe espanhola.

Aos 12 minutos, Nico Williams novamente brilhou na ponta esquerda, cruzando para Merino, que desviou de cabeça rente à trave. Era a 19ª finalização da Espanha na partida, contra nenhuma da Argentina até aquele momento, evidenciando o domínio espanhol. A insistência da Fúria seria finalmente recompensada no segundo tempo extra.

Defesa Espanhola Garante o Título

Após o gol de Ferran Torres, a Espanha ainda teve um segundo gol anulado aos sete minutos do segundo tempo da prorrogação, novamente com Ferran, por impedimento após assistência de Yamal. A Argentina só conseguiu sua primeira finalização aos nove minutos, com um cruzamento perigoso de Messi pela direita que quase surpreendeu o goleiro Unai Simon. Dois minutos depois, o camisa 10 assustou novamente, com um chute forte que explodiu no rosto de Merino. Nos momentos finais, a pressão se inverteu, com a Argentina buscando o empate através de cobranças sequenciais de escanteio. Contudo, a sólida defesa espanhola, que sofreu apenas um gol em toda a Copa, garantiu a taça e a glória do bicampeonato.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/esportes/noticia/2026-07/espanha-domina-argentina-vence-na-prorrogacao-e-leva-o-bi-da-copa

Redação Extra News Goiás
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