Niterói inaugura usina solar no Morro do Boa Vista com economia de R$ 5 milhões
© Leonardo Simplicio
Niterói marca um avanço significativo em sua agenda ambiental e econômica com a inauguração de uma inovadora usina solar no Morro do Boa Vista. A nova infraestrutura, entregue à cidade fluminense no último fim de semana, promete gerar uma economia anual de expressivos R$ 5 milhões aos cofres públicos, consolidando um investimento em energia renovável que redefine a paisagem e o futuro energético municipal. Este projeto estratégico posiciona a cidade como um polo de sustentabilidade, unindo a geração de eletricidade limpa à revitalização de áreas urbanas.
Com um investimento total de R$ 7 milhões, o empreendimento pioneiro é projetado para ter seu custo integralmente recuperado em apenas dois anos, conforme estimativas da prefeitura. A planta de energia solar, que se estende por 36 mil metros quadrados – área equivalente a aproximadamente cinco campos de futebol –, conta com mais de 2 mil módulos fotovoltaicos. A expectativa é que essa vasta rede de painéis seja capaz de produzir cerca de 150 mil quilowatts-hora (kWh) de energia mensalmente, volume suficiente para abastecer diversos equipamentos públicos municipais, incluindo, por exemplo, 19 creches da rede de ensino.
Impacto para a Comunidade e a Encosta
A iniciativa no Morro do Boa Vista vai além da geração de eletricidade. O projeto de energia solar em Niterói foi concebido com uma abordagem multifacetada, incorporando intervenções de infraestrutura que beneficiam diretamente a comunidade vizinha, lar de quase 1,8 mil moradores, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. Entre as benfeitorias, destacam-se a recuperação da vegetação nativa, a instalação de sistemas de drenagem eficientes e a construção de um sistema de captação de água da chuva.
Com uma capacidade aproximada de 30 mil litros, o sistema de reaproveitamento pluvial desempenhará múltiplas funções. Além de ser utilizado na limpeza e manutenção das placas fotovoltaicas, a água armazenada servirá como recurso auxiliar em eventuais operações de combate a incêndios e, crucialmente, na prevenção da erosão das encostas, elevando a segurança da área. A prefeitura já avalia o desempenho deste projeto-piloto com vistas a replicá-lo em outras comunidades da cidade.
Niterói como Referência em Sustentabilidade
A audácia do projeto de Niterói já atrai olhares de especialistas, sendo apontado como um potencial modelo e benchmarking para outras municipalidades brasileiras. O professor Lino Marujo, chefe do Departamento de Engenharia Industrial da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e docente do MBA Executivo em Economia do Petróleo, Gás e Energia da mesma instituição, ressalta a integração de diferentes benefícios. “Essa iniciativa combina no mesmo projeto geração de energia renovável, captação de recursos hídricos e redução de riscos de deslizamentos”, avalia Marujo.
O professor enfatiza ainda o potencial de ganhos socioeconômicos para a região. Ele destaca que o projeto contribui “ao se aproximar da comunidade local, agregando e disseminando conhecimentos em tecnologias sustentáveis e podendo gerar empregos na região”. Para Marujo, em um país com a dimensão e a riqueza de recursos naturais como o Brasil, é fundamental que iniciativas como a usina solar de Niterói se multipliquem. “Em um país como o nosso, onde há disponibilidade de solo e alta incidência solar, projetos como esse devem ser cada vez mais difundidos e aprimorados, agregando valor para a sociedade, para o ambiente e economia”, completa.
O Crescimento da Energia Solar no Brasil
O projeto de Niterói reflete uma tendência de crescimento robusto da energia solar no cenário energético nacional. Reconhecida como uma fonte limpa por não emitir poluentes atmosféricos ou gases de efeito estufa, diretamente ligados ao aquecimento global, a energia solar tem ganhado destaque na matriz elétrica brasileira.
Conforme dados de um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a energia solar foi a fonte que mais cresceu entre 2024 e 2025, registrando um notável salto de 24,7%. Em 2025, ela se consolidou como a terceira principal fonte de energia elétrica do país, respondendo por 11,4% do total, ficando atrás apenas da hidrelétrica (51,2%) e da eólica (14,9%). Esse cenário de expansão nacional valida o investimento de Niterói em suas usinas solares como uma aposta em um futuro mais sustentável e economicamente viável.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/usina-solar-em-comunidade-de-niteroi-gera-energia-para-19-creches
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