Escolas do Rio, AM, MT e PA são finalistas de prêmio Melhores do Mundo
© Divulgação SME-Rio
Quatro instituições de ensino brasileiras alcançaram um reconhecimento global sem precedentes, sendo selecionadas entre as 50 melhores escolas do mundo. O anúncio, realizado nesta quinta-feira (25) pela plataforma T4 Education, coloca a Escola Municipal GET IV Centenário (Rio de Janeiro), a Escola Baniwa Kalipana (Amazonas), o Centro de Educação Infantil Rosa Mutran Maluf (Cuiabá) e o Centro Educacional Primeiro Mundo (Pará) como finalistas do prestigiado Prêmio Melhores Escolas do Mundo 2026, destacando a excelência e inovação da educação no país.
A distinção global, que inclui dez finalistas em cada uma das cinco categorias da premiação, reforça a capacidade das escolas brasileiras de desenvolverem projetos transformadores, mesmo diante de desafios complexos. Das quatro finalistas, duas se destacaram na categoria “Superação de Adversidades”, uma na “Ação Ambiental” e outra em “Inovação”, refletindo a diversidade de abordagens pedagógicas reconhecidas internacionalmente. A notícia gerou celebração em comunidades distantes, desde a Amazônia até as favelas cariocas.
Superando Desafios nas Escolas Cariocas
Na vibrante Maré, zona norte do Rio de Janeiro, a notícia da indicação do Ginásio Educacional Tecnológico (GET) IV Centenário para a categoria “Superação de Adversidades” foi motivo de grande festa. A unidade de ensino, localizada em um complexo de 16 favelas frequentemente impactado por operações policiais e conflitos armados – um cenário que, segundo o projeto De Olho na Maré, resultou em 231 operações, 160 mortes e 1.538 ações violentas entre 2016 e 2025 –, transformou a escuta em ferramenta pedagógica.
A diretora Alessandra Aguiar expressou o sentimento geral de reconhecimento da escola carioca: “O coração está transbordando de alegria. É muito gostoso a gente receber esse reconhecimento em uma área vulnerável como é a nossa.”
A metodologia desenvolvida pelo GET IV Centenário, que atende crianças de 6 a 11 anos, nasceu da necessidade de acolhimento dos estudantes após períodos de instabilidade. “A gente criou o Café com Música e Prosa, que é o acolhimento socioemocional, principalmente por conta dos dias após as operações policiais. Eles precisavam falar. Eles precisavam colocar para fora”, explicou Aguiar.
Essa prática evoluiu para o projeto “Fábrica de Sonhos”, onde os primeiros 20 minutos de cada dia são dedicados à expressão de sentimentos e preocupações dos alunos. “Os 20 minutos que a gente para para ouvir essas crianças no começo do dia, fazem toda a diferença. E isso é um processo diário. Todos os dias, antes de começar as matérias, a gente para para ouvir e para dizer para eles que eles podem sonhar e realizar tudo que eles quiserem”, afirmou a diretora. Os resultados das ações da escola são notáveis: a instituição zerou o abandono escolar e atingiu 97% de alfabetização na idade adequada.
Aguiar ressaltou a importância do vínculo no aprendizado: “Eu acredito que sem relação, não tem aprendizado. Sem vínculo, não tem aprendizado. Então, a relação da gente com a família, a relação da gente com as crianças é muito importante e eles se sentem à vontade e acolhidos para estarem aqui. Às vezes, o que eles não falam em casa, eles contam aqui para a gente.”
O projeto “Fábrica de Sonhos” também engaja os alunos na investigação de problemas comunitários reais, utilizando a tecnologia para desenvolver soluções práticas de educação. A participação das famílias é ativa, desde o planejamento colaborativo anual até a definição de metas e responsabilidades junto com a escola. A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro planeja expandir essa metodologia para outras 350 escolas da rede, com potencial de adesão em mais unidades.
Ensino Baniwa: Conectando Saberes Ancestrais e Sustentabilidade
Na remota São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, a madrugada se transformou em festa às 2h, quando a Escola Baniwa Kalipana foi anunciada como finalista na categoria “Ação Ambiental”. Estudantes e lideranças indígenas, que acompanhavam o resultado reunidos e acordados, vibraram com o reconhecimento de um modelo educacional enraizado no território, na gestão ambiental e nos sistemas de conhecimento ancestrais.
A instituição, com educadores exclusivamente indígenas, promove o aprendizado na língua nativa. A proposta da Escola Baniwa Kalipana aborda uma lacuna histórica, onde a educação formal frequentemente ignorava os saberes e modos de vida das comunidades em regiões amazônicas. “Isso gerava um distanciamento cultural que aumentava a probabilidade de eles deixarem o território em busca de oportunidades externas e enfraquecia significativamente as chances de transmissão de conhecimento entre gerações”, conforme a descrição da escola na premiação.
O desenvolvimento desse modelo pedagógico de excelência é fruto de uma colaboração entre lideranças Baniwa e Koripako, famílias, anciãos e membros da comunidade. O pilar do ensino é o sistema agrícola Káali, uma prática indígena milenar que integra o cultivo da mandioca a um vasto conhecimento ecológico, memória, cantos, artes, espiritualidade, saúde, produção de alimentos e vida familiar e comunitária.
“Esse conhecimento territorial é então integrado a disciplinas como português, matemática, história e outras exigidas nacionalmente, dentro de uma estrutura curricular que apoia explicitamente a adaptação às realidades locais e aos contextos educacionais indígenas”, detalha o texto de apresentação.
Inovação e Inclusão: De Cuiabá ao Pará
Completando o quarteto de escolas brasileiras de destaque, o Centro de Educação Infantil Rosa Mutran Maluf, em Cuiabá, Mato Grosso, brilhou na categoria “Inovação”. A instituição é reconhecida por sua “Metodologia Criancice”, que substitui o formato tradicional de salas de aula por “territórios de aprendizagem” temáticos. Nesses ambientes, as crianças exploram ciência, arte, literatura, movimento, tecnologia e cultura, construindo conhecimento de forma experimental, lúdica e investigativa. O Centro também se destaca pelo compromisso com a diversidade étnico-racial, incorporando materiais da cultura afro-brasileira e indígena e promovendo ações permanentes de educação antirracista desde a primeira infância.
Paralelamente, em Canaã dos Carajás, no Pará, o Centro Educacional Primeiro Mundo garantiu sua vaga entre os finalistas na categoria “Superação de Adversidades”. A escola é elogiada por oferecer oportunidades acadêmicas, científicas e tecnológicas de alto nível a cerca de 4 mil estudantes, muitos deles de uma região remota da Amazônia, que tradicionalmente teriam acesso restrito a esses recursos. Seu programa educacional de excelência é notável pela inclusão de alunos indígenas Kayapó, neurodivergentes e pessoas com deficiência, criando um ambiente de aprendizado verdadeiramente integrado. O sucesso dessa abordagem se reflete nas mais de mil medalhas conquistadas pelos estudantes em olimpíadas acadêmicas nacionais e internacionais em apenas três anos.
O Prêmio Global e Próximos Passos para as Escolas Selecionadas
O “World’s Best School Prizes”, ou Prêmio Melhores Escolas do Mundo, é uma iniciativa da plataforma T4 Education, contando com o apoio de importantes entidades como a Fundação Lemann, American Express e Accenture. A premiação é dividida em cinco categorias: Inovação, Ação Ambiental, Colaboração Comunitária, Superação de Adversidades e Apoio a Vidas Saudáveis.
Até o dia 29 de outubro, o público pode participar da votação online para escolher seus favoritos entre as melhores escolas. Os vencedores de cada categoria serão revelados em novembro e se juntarão a um seleto grupo que facilita a troca de conhecimentos e apoio pedagógico entre educadores e especialistas globalmente.
Vikas Pota, fundador e CEO da T4 Education, sintetizou o espírito do prêmio: “Essas escolas vêm de partes muito diferentes do mundo. O que elas compartilham é uma clara recusa em aceitar que uma educação de excelência seja reservada para algumas crianças e não outras.” Os representantes das escolas vencedoras e finalistas serão convidados a participar do World Schools Summit, em Londres, nos dias 16 e 17 de janeiro de 2027, para compartilhar suas experiências e boas práticas com líderes educacionais e formuladores de políticas públicas de todo o mundo.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-06/brasil-tem-duas-escolas-finalistas-no-premio-melhores-escolas-do-mundo
