Banco do Brasil registra queda de 54% no lucro do 1º tri por inadimplência rural
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Banco do Brasil (BB) reportou uma drástica redução em seu lucro líquido ajustado para o primeiro trimestre de 2026, atingindo R$ 3,4 bilhões. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (13), representa uma queda expressiva de 54% em comparação com o mesmo período do ano anterior, impactado principalmente pelo aumento da inadimplência no crédito rural. Em resposta ao cenário desafiador, a instituição financeira também reviu para baixo sua projeção de lucro para o ano.
Pressão do Agronegócio e Impacto nos Resultados
A forte deterioração do balanço do Banco do Brasil é diretamente atribuída às dificuldades enfrentadas pelo setor do agronegócio. O banco precisou elevar significativamente suas provisões para perdas, uma reserva destinada a cobrir eventuais calotes em empréstimos. Esse montante alcançou R$ 16,8 bilhões no trimestre, representando um incremento de 46% em doze meses.
A instituição confirmou, por meio de nota, que “o aumento das perdas esperadas reflete principalmente a elevação da inadimplência nas operações com produtores rurais.” Este movimento de proteção reflete a crescente dificuldade dos tomadores de crédito rural em honrar seus compromissos, forçando o BB a ajustar sua estratégia de capital.
Disparada da Inadimplência no Campo
Os dados reforçam a crise no campo: o índice de inadimplência superior a 90 dias nas operações com o agronegócio disparou para 6,22% da carteira rural, um aumento de 3,5 pontos percentuais em apenas um ano. Como referência, a inadimplência geral do banco ficou em 5,05% no período.
O contexto macroeconômico por trás dessa elevação da inadimplência agropecuária remonta à quebra da safra de soja em 2024, após um ano de produção recorde em 2023. Essa reviravolta no ciclo produtivo levou a um crescimento no número de recuperações judiciais entre produtores rurais nos anos de 2024 e 2025, evidenciando a fragilidade financeira de parte do setor.
Revisão na Projeção de Lucro Anual
Diante do quadro de riscos acentuados, especialmente no agronegócio, o Banco do Brasil ajustou suas expectativas de lucro para 2026. A nova previsão situa o lucro projetado em uma faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. Anteriormente, a estimativa era mais otimista, variando entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
A revisão da previsão de lucro, conforme explicou o Banco do Brasil, considera não apenas o “agravamento do risco no agronegócio”, mas também outros fatores como “incertezas geopolíticas”, “impactos sobre a economia” e “piora nos indicadores macroeconômicos”.
Queda na Rentabilidade e Medidas de Reação
Outro indicador de desempenho que sofreu um revés foi o retorno sobre patrimônio líquido (ROE), uma medida crucial da rentabilidade bancária. O ROE do Banco do Brasil recuou significativamente, de 16,7% para 7,3% em doze meses, e também ficou abaixo dos 12,4% registrados no último trimestre de 2025.
Para tentar mitigar os efeitos da crise no crédito rural, o banco intensificou suas estratégias de cobrança e renegociação de dívidas. O programa “BB Regulariza Dívidas Agro” se destacou, com a repactuação de mais de 73 mil operações, totalizando R$ 37,9 bilhões renegociados e beneficiando cerca de 25,5 mil produtores rurais. Além disso, a instituição informou que ampliou a utilização de garantias e o número de ações judiciais para a recuperação de créditos.
Expansão da Carteira de Crédito Apesar dos Desafios
Apesar dos obstáculos no agronegócio, a carteira total de crédito do Banco do Brasil demonstrou resiliência, expandindo 2,2% em um ano e alcançando R$ 1,3 trilhão. O segmento de pessoas físicas foi um dos motores desse crescimento, impulsionado, em particular, pelo crédito consignado. Ao final do trimestre, os ativos totais da instituição totalizaram R$ 2,6 trilhões, com o patrimônio líquido registrando R$ 194,9 bilhões.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/lucro-do-banco-do-brasil-cai-54-com-avanco-da-crise-no-agro
