Medicamento Lecanemabe para Alzheimer chega ao Brasil em 2026
Pacientes brasileiros diagnosticados com Alzheimer em estágio inicial terão acesso a uma nova alternativa terapêutica a partir de junho de 2026. Trata-se do lecanemabe, um medicamento biológico que promete desacelerar a progressão da doença, cuja comercialização no país foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2025. Conhecido internacionalmente como Leqembi, o tratamento já obteve autorização em dezenas de nações, representando um avanço significativo no combate à doença neurodegenerativa.
O medicamento é o resultado do trabalho conjunto das farmacêuticas Eisai e Biogen, e sua indicação é específica para indivíduos que enfrentam comprometimento cognitivo leve ou demência leve, condições diretamente associadas ao Alzheimer.
Alto Custo do Tratamento e Acesso
A chegada do lecanemabe ao mercado nacional, no entanto, vem acompanhada de um desafio considerável: o custo elevado. Dependendo da carga tributária estadual, o valor mensal do tratamento pode oscilar entre R$ 8.108,94 e R$ 11.075,62. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) aponta que uma única aplicação do lecanemabe tem um preço estimado em cerca de R$ 5.500.
Essa barreira financeira suscita preocupações quanto à acessibilidade para a maioria da população brasileira. Atualmente, não há qualquer previsão para a incorporação do lecanemabe ao rol de tratamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tampouco confirmação sobre a cobertura obrigatória por parte dos planos de saúde privados.
Mecanismo de Ação do Lecanemabe
O funcionamento do lecanemabe baseia-se em uma abordagem inovadora para o tratamento do Alzheimer. O medicamento atua diretamente na redução das placas beta-amiloide, proteínas que, ao se acumularem no cérebro, são consideradas um dos principais fatores na destruição dos neurônios em pacientes com a doença. O objetivo primordial desse tratamento é mitigar essas formações e, consequentemente, retardar a perda de memória e outras funções cognitivas cruciais.
A administração do lecanemabe é feita por meio de infusão intravenosa, geralmente programada para ocorrer a cada duas semanas, conforme o regime de tratamento.
Eficácia e Advertências Essenciais
Resultados de estudos clínicos indicam que o lecanemabe foi capaz de promover uma redução de aproximadamente 27% no declínio cognitivo em pacientes nos estágios iniciais do Alzheimer, após um período de 18 meses de tratamento contínuo. Apesar desses dados encorajadores, especialistas enfatizam que o medicamento não constitui uma cura para o Alzheimer e não tem a capacidade de impedir completamente a progressão da doença. Ele age como um agente que retarda o avanço dos sintomas.
Possíveis Reações Adversas e Monitoramento
A despeito dos benefícios potenciais, o uso do medicamento lecanemabe exige cautela e acompanhamento médico rigoroso. Isso se deve aos possíveis efeitos colaterais significativos, que incluem inchaço cerebral e pequenos sangramentos no cérebro. Tais condições são tecnicamente denominadas anormalidades relacionadas ao amiloide e demandam monitoramento constante para garantir a segurança do paciente durante o tratamento.
