PM desocupa Reitoria da USP em São Paulo; seis estudantes feridos

USP: alunos mantêm ocupação de reitoria e pedem reabertura de diálogo

© Cecília Bastos/Jornal da USP

Uma operação da Polícia Militar na madrugada deste domingo (10) culminou na desocupação do saguão da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), em um evento que envolveu cerca de 150 manifestantes e mobilizou aproximadamente 50 policiais. O espaço estava sob ocupação estudantil desde a última quinta-feira (7), e a ação gerou divergências sobre o número de feridos e os danos ao patrimônio.

Ação Policial e Relatos Conflitantes

Enquanto a Polícia Militar declarou que não houve feridos durante a intervenção, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP apresentou um balanço diferente, apontando seis estudantes lesionados. Desses, dois já teriam recebido alta da UPA Rio Pequeno, onde foram atendidos, e quatro permanecem internados, um deles com fratura no nariz. O DCE acusa as forças de segurança de utilizarem bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes durante a desocupação do edifício da Reitoria da USP.

Detenções e Constatação de Danos

Na sequência da ação de desocupação, quatro indivíduos foram conduzidos ao 7º Distrito Policial, onde foi lavrado um boletim de ocorrência por crimes de dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após os procedimentos de qualificação, todos foram liberados. Uma vistoria minuciosa no local, após a retirada dos ocupantes, revelou uma série de prejuízos materiais à estrutura da universidade. Entre os itens danificados estavam o portão de acesso, portas de vidro, carteiras escolares, mesas e a catraca de entrada, segundo a corporação.

Além dos estragos, a Polícia Militar informou ter apreendido no saguão entorpecentes e diversas armas brancas, incluindo facas, canivetes e estiletes, bem como objetos contundentes, como bastões e porretes. A corporação assegura que quaisquer denúncias de excesso na conduta policial serão submetidas a rigorosa apuração. O policiamento na área foi mantido para assegurar a ordem pública e proteger a integridade do patrimônio.

Origem do Protesto Estudantil

A mobilização estudantil que levou à ocupação da Reitoria da USP tinha como pauta principal reivindicações voltadas à assistência estudantil. Os manifestantes exigiam, entre outros pontos, um reajuste no valor concedido pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), além de melhorias significativas nas moradias estudantis e nos serviços oferecidos pelos restaurantes universitários, popularmente conhecidos como bandejões.

Posicionamento da Universidade de São Paulo

Em nota divulgada após a desocupação da Reitoria da USP, a administração da universidade lamentou os incidentes ocorridos e ressaltou que não foi comunicada previamente pela Polícia Militar sobre a realização da ação. A instituição afirmou ter mantido um “disposição permanente para o diálogo e para o acompanhamento dos encaminhamentos acordados nas negociações com o movimento estudantil”, conforme trecho do comunicado.

A nota da USP detalhou que as negociações com os estudantes haviam chegado a um impasse. Esse limite foi atribuído ao atendimento de diversos pontos da pauta pela Reitoria, à formação de sete grupos de trabalho dedicados a analisar a viabilidade de outras reivindicações, à persistência em demandas consideradas inviáveis e à inclusão de pautas que extrapolavam o âmbito de atuação da universidade. A presença de pessoas não pertencentes à comunidade acadêmica no local também foi um fator apontado pela gestão. A universidade reiterou sua abertura para retomar o diálogo, buscando consolidar os avanços já alcançados em reuniões anteriores, mas condicionando essa abertura à “manutenção do direito de ir e vir em todos os espaços”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-05/policia-militar-desocupa-estudantes-da-reitoria-da-usp

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