Economista Chico Lopes, ex-presidente do BC, morre no Rio de Janeiro.

Morre o economista Chico Lopes, ex-Banco Central e criador do Copom

© Banco Central/divulgação

O Brasil lamenta a perda de uma figura proeminente de sua história econômica. Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, conhecido nacionalmente como Chico Lopes, economista de notável trajetória e ex-presidente interino do Banco Central (BC), faleceu nesta sexta-feira (8), aos 78 anos, no Rio de Janeiro. Lopes, que estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, deixou um legado inquestionável para a política monetária e a estabilização do país.

A confirmação do falecimento do economista Chico Lopes foi feita por meio de um comunicado oficial da família. A unidade de saúde onde ele estava internado não divulgou a causa da morte. A nota da família ressaltou a importância do trabalho de Chico Lopes para o cenário nacional.

“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Chico Lopes, economista de trajetória marcante e um dos nomes mais respeitados do pensamento econômico brasileiro”, diz trecho do comunicado da família. O texto prossegue: “Com atuação relevante na construção e no debate da política econômica nacional, Chico Lopes deixa uma contribuição importante para o desenvolvimento do país, sendo reconhecido por sua inteligência, firmeza intelectual e dedicação ao Brasil ao longo de décadas de trabalho.”

### Período Crucial no Banco Central

A atuação de Francisco Lafaiete de Pádua Lopes no Banco Central do Brasil foi particularmente intensa e significativa. Ele exerceu a diretoria da instituição entre 1995 e 1998 e, em um momento de turbulência econômica, assumiu a presidência interina em janeiro e fevereiro de 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Durante sua breve gestão interina, o economista Chico Lopes vivenciou a crucial transição do Brasil de um regime de câmbio administrado para o câmbio flutuante, em um cenário de forte crise cambial. Após este período, Lopes foi sucedido por Armínio Fraga, deixando o BC em março daquele ano. Sua passagem pela cúpula do Banco Central também coincidiu com uma operação polêmica envolvendo o socorro aos bancos Marka e FonteCidam, que enfrentavam dificuldades devido à cotação do dólar. Apesar de a operação ter gerado prejuízo ao Banco Central e sido tema de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI do Sistema Financeiro), Lopes sempre defendeu a legalidade das ações, argumentando que visavam evitar a quebra das instituições e uma crise financeira ainda maior.

### Legado Acadêmico e Intelectual

Antes e depois de sua contribuição direta para a política econômica, o economista Chico Lopes construiu uma sólida carreira acadêmica e profissional. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele aprofundou seus estudos com um mestrado pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e um doutorado pela prestigiada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Além de sua formação de alto nível, Chico Lopes atuou como professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) e na Universidade de Brasília (UnB), compartilhando seu vasto conhecimento com novas gerações de economistas. Foi também um dos fundadores da empresa de consultoria Macrométrica, consolidando sua influência para além dos muros acadêmicos e governamentais. Sua trajetória inclui ainda uma passagem pelo Ministério da Fazenda em 1987. Ele participou ativamente de discussões sobre importantes planos anti-inflacionários, como o Cruzado e o Bresser, e teve um papel relevante na consolidação do Plano Real.

### Pesar e Homenagens do Banco Central

A notícia da morte de Francisco Lafaiete de Pádua Lopes foi recebida com profundo pesar pelo Banco Central, que se manifestou por meio de nota oficial. A instituição reconheceu a relevância de sua contribuição para a estabilização econômica do país.

“Francisco Lopes dedicou décadas de sua vida intelectual ao enfrentamento do maior desafio macroeconômico de seu tempo: a inflação crônica brasileira dos anos 1980 e 1990”, destacou o comunicado do BC. A nota prosseguiu, enfatizando um dos pontos mais duradouros de seu trabalho: a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária (Copom). Este órgão é fundamental para a condução da política monetária do país, “conferindo previsibilidade, transparência e rigor técnico às decisões sobre a taxa básica de juros [Selic]”. Para o Banco Central, Chico Lopes “marcou a história da estabilização econômica brasileira” e deixou para a instituição “um legado de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao país”.

O próprio Chico Lopes reconhecia a importância dessa criação para o cenário econômico nacional. “Acredito que a criação do Copom foi fundamental para a consolidação do Real, para que fosse estabelecida, de fato, uma política monetária. Eu dizia que era preciso ter um ritual e que a reunião para definir a taxa de juros deveria ser gravada”, dizia ele sobre o Copom. Em 2019, o Banco Central publicou um depoimento autobiográfico em formato de entrevista, detalhando a rica trajetória pessoal, acadêmica e profissional do economista.

### Despedida e Cerimônia Familiar

A cerimônia de despedida do economista Chico Lopes ocorrerá neste sábado (9) no Cemitério do Caju, localizado no Rio de Janeiro. O velório terá início às 13h, e a cremação está marcada para as 16h. Francisco Lafaiete de Pádua Lopes deixa a esposa, Ciça Pugliese, com quem foi casado por mais de 40 anos, além de três filhos e sete netos.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/morre-o-economista-chico-lopes-ex-banco-central-e-criador-do-copom

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