Opas e Fiocruz alertam para alta da gripe H3N2 K e VSR no Brasil

Fiocruz mantém alerta para síndrome respiratória grave

© Joédson Alves/Agência Brasil

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) acendeu o sinal de alerta para a iminente temporada de circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com uma preocupação central: a gripe causada pela variante K do vírus Influenza H3N2. A entidade prevê um período de alta demanda sobre os serviços de saúde, impulsionado pela predominância dessa cepa e pelo aumento gradual de outros patógenos, exigindo preparo redobrado das nações da região, incluindo o Brasil.

Nova Ameaça no Cenário Epidemiológico

A variante K do vírus Influenza H3N2, identificada primeiramente no ano passado, já demonstrou sua capacidade de disseminação ao dominar a temporada de inverno no Hemisfério Norte. Embora não apresente maior gravidade em comparação com outras variantes do vírus da gripe, essa cepa se associa a períodos mais extensos de transmissão, um fator que pode amplificar o impacto sobre a saúde pública. No Brasil, o subclado K foi detectado já em dezembro de 2025, sinalizando sua chegada precoce ao território nacional.

Previsões para a Temporada de Inverno

Em seu alerta epidemiológico, divulgado na segunda-feira (27), a Opas considera o atual cenário na América do Sul “consistente com o início gradual da temporada de inverno”. A organização observa que, apesar da baixa atividade da Influenza até o momento, já há “sinais iniciais de aumento em alguns países, predominando o vírus A(H3N2)”. A experiência do inverno no Hemisfério Norte serve de aviso: as nações do Hemisfério Sul “devem se preparar não apenas para uma temporada de potencial alta intensidade, mas particularmente para picos de demanda hospitalar concentrados em períodos curtos, que poderiam colocar à prova a capacidade de resposta dos serviços de saúde”.

No Brasil, a taxa de positividade para a Influenza — que mede a proporção de testes com resultado positivo para o vírus — manteve-se abaixo de 5% durante o primeiro trimestre do ano. Contudo, registrou um salto significativo no final de março, atingindo 7,4%, com uma “clara predominância da Influenza A(H3N2), com alta intensidade de circulação”. O Ministério da Saúde, por meio do sequenciamento genético, confirmou essa tendência: dos 607 testes analisados até 21 de março, 72% corresponderam ao subclado K.

Crescimento do Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

A preocupação das autoridades de saúde não se limita à gripe. A Opas também enfatizou o aumento progressivo da circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) em diversos países, incluindo o Brasil. Esse avanço “antecipa seu padrão sazonal típico, com potencial impacto na carga de doença em crianças pequenas e outros grupos de risco nas próximas semanas”, somando-se ao quadro de risco para os sistemas de saúde.

Imunização como Estratégia Prioritária

Diante do cenário de possível aumento simultâneo de casos de VSR e Influenza, além da persistência, mesmo que em menor número, de casos de Covid-19, a Opas reforça a necessidade de intensificar as ações de vacinação. O objetivo é crucial: prevenir internações e óbitos, evitando o colapso dos serviços de saúde.

A eficácia da vacina contra a gripe já foi comprovada no Hemisfério Norte, onde se mostrou capaz de reduzir em até 75% as hospitalizações de crianças no Reino Unido, conforme destaca o alerta da Opas. A formulação do imunizante distribuído no Brasil é atualizada anualmente, com base nas cepas predominantes no inverno do Hemisfério Norte, e inclui a H3N2 entre as três cepas protegidas neste ano.

Campanha Nacional de Vacinação e Medidas de Higiene

A campanha nacional de vacinação contra a Influenza está em andamento, priorizando grupos considerados de maior vulnerabilidade a quadros graves. Isso inclui crianças menores de seis anos, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades, trabalhadores da saúde, população indígena, professores e indivíduos privados de liberdade. Adicionalmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o VSR para gestantes, visando proteger os recém-nascidos contra a bronquiolite, uma infecção pulmonar potencialmente fatal.

Além da imunização, a Opas reitera a importância de ações básicas de higiene e da “etiqueta respiratória”. “Lavar as mãos é a forma mais eficiente de diminuir a transmissão. Pessoas com febre devem evitar ir ao trabalho ou a locais públicos até que a febre diminua. Da mesma forma, crianças em idade escolar com sintomas respiratórios, febre ou ambos devem ficar em casa e não ir à escola”, orienta o documento.

Boletim Infogripe Confirma Tendência de Alta

Os dados mais recentes do Boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quarta-feira (29), corroboram a avaliação da Opas. A análise, que abrange o período de 19 a 25 de abril, aponta um aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) decorrentes de Influenza A e VSR em todas as regiões do país.

Atualmente, 24 das 27 unidades federativas brasileiras encontram-se em níveis de alerta, risco ou alto risco para a SRAG, uma condição que indica o agravamento de sintomas após infecções virais. Em 16 estados, observa-se uma tendência de crescimento dos casos em longo prazo.

Em 2026, mais de 46 mil casos de SRAG foram notificados no Brasil. Destes, 44,3% tiveram a infecção viral confirmada por testes laboratoriais. A análise detalhada revelou que 26,4% foram causados por Influenza A e 21,5% por vírus sincicial respiratório. Nas últimas quatro semanas, a proporção de casos positivos para Influenza A elevou-se para 31,6%, enquanto as infecções por VSR atingiram 36,2%, consolidando a preocupação com a temporada de vírus respiratórios.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-04/opas-alerta-para-alta-de-casos-de-gripe-k-e-vsr-no-hemisferio-sul

What do you feel about this?