Desemprego: Brasil registra 6,1% no 1º tri de 2026, menor taxa desde 2012

Desemprego no 1º trimestre é de 6,1%, o menor já registrado no período

© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil registrou uma taxa de desemprego de 6,1% no primeiro trimestre de 2026, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro. Embora represente um aumento em relação ao trimestre anterior, este índice marca o menor patamar para um primeiro trimestre desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012.

Apesar do indicador atual se situar acima dos 5,1% observados no quarto trimestre de 2025, a performance é significativamente melhor que a do mesmo período do ano passado, quando a taxa de desocupação alcançou 7%. O país não registrava uma taxa de desemprego superior a 6% desde o trimestre encerrado em maio de 2025. É importante notar que, no trimestre móvel concluído em fevereiro de 2026, a taxa foi de 5,8%.

O IBGE, no entanto, adverte contra comparações diretas entre meses consecutivos devido à sobreposição de dados na metodologia da Pnad Contínua, que utiliza trimestres móveis. Por essa razão, a comparação mais apropriada para a taxa de desocupação é com o quarto trimestre do ano anterior, evitando distorções.

## Dinâmica do Mercado de Trabalho: População Ocupada e Desocupada

No fechamento do primeiro trimestre de 2026, a força de trabalho brasileira contava com 6,6 milhões de pessoas ativamente buscando uma ocupação, configurando a população desocupada. Este contingente reflete um crescimento de 19,6% – ou seja, 1,1 milhão de indivíduos – comparado ao último trimestre de 2025. Contudo, em uma análise anual, o número é 13% inferior ao do primeiro trimestre de 2025. Em contrapartida, a população ocupada totalizou 102 milhões de pessoas, registrando um recuo de 1 milhão frente ao trimestre final de 2025, mas uma expansão de 1,5 milhão se comparado ao primeiro trimestre do ano passado.

A dinâmica observada no mercado de trabalho durante os três primeiros meses do ano é explicada por fatores sazonais típicos do período, conforme análise da coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy. Ela destacou: “A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.”

Nenhum dos dez agrupamentos de atividades econômicas acompanhados pelo IBGE apresentou crescimento no número de ocupados no período. Pelo contrário, três setores registraram queda expressiva na ocupação: o comércio, com uma retração de 1,5% (menos 287 mil pessoas ocupadas); a administração pública, que diminuiu 2,3% (perda de 439 mil pessoas); e os serviços domésticos, com uma redução de 2,6% (menos 148 mil pessoas).

## Recuo da Informalidade Marca o Período

Apesar do aumento na taxa de desocupação no primeiro trimestre de 2026 em relação ao último de 2025, o mercado de trabalho brasileiro demonstrou um movimento positivo na frente da informalidade, com uma redução no número de trabalhadores sem direitos garantidos. A taxa de informalidade atingiu 37,3% da população ocupada no trimestre encerrado em março, totalizando 38,1 milhões de trabalhadores informais.

Este percentual representa uma queda frente aos 37,6% registrados no final de 2025 e aos 38% do primeiro trimestre de 2025. O número de empregados com carteira assinada no setor privado manteve-se estável no trimestre, somando 39,2 milhões de pessoas. Em perspectiva anual, houve um crescimento de 1,3%, o que equivale a 504 mil novas vagas formais.

Por outro lado, o contingente de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado sofreu uma retração de 2,1% no trimestre, o que representa 285 mil pessoas a menos, totalizando 13,3 milhões. Em comparação anual, este grupo permaneceu estatisticamente estável. Já os trabalhadores por conta própria mantiveram-se em 26 milhões no trimestre, com um crescimento de 2,4% (607 mil pessoas a mais) em relação ao primeiro trimestre de 2025.

## Pnad Contínua: Critérios e Abrangência do Estudo

A Pnad Contínua, principal ferramenta do IBGE para monitorar o mercado de trabalho e a taxa de desemprego, abrange indivíduos com 14 anos ou mais e considera todas as modalidades de ocupação, desde empregados formais a trabalhadores temporários e autônomos. É importante notar que, pelos critérios do instituto, apenas é classificada como “desocupada” a pessoa que comprovadamente procurou uma vaga nos 30 dias que antecederam a pesquisa, que visita 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

## Visão Comparativa com o Caged

Os dados da Pnad foram divulgados um dia após o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que foca exclusivamente nos empregos com carteira assinada. O Caged apontou um saldo positivo de 228 mil vagas formais em março e um balanço de 1,2 milhão de postos de trabalho com carteira assinada criados nos últimos 12 meses.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/desemprego-no-1o-trimestre-e-de-61-o-menor-ja-registrado-no-periodo

What do you feel about this?