PF e Receita Federal afastam 25 por corrupção no Porto do Rio
© 26.07.2020/Tânia Rêgo/Agência Brasil
Um gigantesco esquema de corrupção e facilitação de ilícitos na alfândega do Porto do Rio de Janeiro foi o alvo principal da Operação Mare Liberum, deflagrada nesta terça-feira (28) por uma força-tarefa composta pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal. A ação visa desarticular uma rede criminosa que, entre julho de 2021 e março de 2026, teria movimentado impressionantes R$ 86,6 bilhões em mercadorias e gerado dezenas de milhões em propinas, abalando as estruturas de controle do comércio exterior.
As diligências, que se estendem pelo Rio de Janeiro e também por Vitória, no Espírito Santo, resultaram no cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão. Além disso, a operação determinou o afastamento de 17 auditores fiscais e oito analistas tributários de seus cargos, totalizando 25 servidores públicos, bem como a decretação de medidas de bloqueio de bens e restrições a diversas atividades profissionais dos envolvidos.
A investigação revela a existência de uma sofisticada associação criminosa, envolvendo a atuação conjunta de importadores, despachantes aduaneiros e servidores públicos. Este grupo orquestrava a liberação irregular de cargas, mascarando divergências entre os produtos efetivamente importados e o que era declarado às autoridades, com o objetivo primordial de sonegar tributos e facilitar crimes como contrabando e descaminho na alfândega.
### O Início da Descoberta e a Força-Tarefa
Originada em 2022, a partir de meticulosos controles internos da Corregedoria da Receita Federal e de denúncias recebidas, a apuração que culminou na Operação Mare Liberum mobilizou recursos sem precedentes. As atividades desta terça-feira contaram com a participação de mais de 100 servidores da Receita Federal e de 200 policiais federais, demonstrando a magnitude do empenho para desmantelar o esquema de corrupção no Porto do Rio.
### O Recorde da Receita e as Consequências Legais
Considerada a maior operação da história da Corregedoria da Receita Federal em termos de alcance e impacto, a Operação Mare Liberum ilumina a profundidade da fraude. O volume financeiro de R$ 86,6 bilhões em mercadorias, movimentado em um período de quase cinco anos, sublinha a extensão do esquema de propinas e a capacidade de organização da quadrilha para burlar a fiscalização alfandegária.
Diante da gravidade da situação e da necessidade de manter a regularidade das operações portuárias, a Receita Federal já se pronunciou sobre as ações futuras. Segundo o fisco, “A Receita Federal está estruturando imediatamente ações de apoio ao Porto do Rio de Janeiro para manter a fluidez do comércio, além se revisar as operações irregulares realizadas no período investigado.”
As investigações não se encerram com as prisões e afastamentos. As autoridades planejam novas medidas para responsabilizar não apenas os facilitadores, mas também os pagadores da propina, buscando atingir todos os elos da cadeia criminosa. Os indivíduos envolvidos na Operação Mare Liberum podem ser indiciados por uma série de crimes graves, incluindo corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro, entre outras infrações.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/esportes/noticia/2026-04/pf-e-receita-combatem-fraude-de-rs-86-bilhoes-no-porto-do-rio
