Lula sanciona Plano Nacional de Educação e critica escolas cívico-militares
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Em um gesto simbólico para o futuro da educação no país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (14), no Palácio do Planalto, o novo Plano Nacional de Educação (PNE). Na ocasião, o chefe do Executivo Federal defendeu um modelo de ensino público e gratuito que priorize a formação acadêmica tradicional, afastando a necessidade de expansão de escolas cívico-militares. A iniciativa reafirma o compromisso governamental com diretrizes educacionais para a próxima década.
Lula foi enfático ao abordar a questão do modelo educacional, ressaltando a distinção entre a formação civil e a militar. “Quando uma menina ou um menino resolverem seguir a sua carreira militar, eles vão se preparar militarmente. Mas enquanto eles quiserem estudar, eles têm que estudar a mesma coisa que estudam 220 milhões de brasileiros sob a orientação do Ministério da Educação deste país”, defendeu o presidente.
O presidente classificou o Plano Nacional de Educação como uma “obra-prima”, destacando seu papel em firmar um compromisso de implementação ao longo dos próximos dez anos. Para ele, a execução bem-sucedida do PNE depende da responsabilidade coletiva da sociedade brasileira e de uma vigilância constante para assegurar que as metas estabelecidas sejam cumpridas. “Nós temos a responsabilidade de não permitir que ninguém, quem quer que seja, do partido que seja, com a altura que tiver ou da cor que tiver, tenha o desmazelo de não executar o que está previsto”, alertou.
Principais Diretrizes do PNE
O documento abrange 19 objetivos fundamentais, com um acompanhamento bienal das metas em áreas cruciais do sistema de ensino. Entre os focos estão a educação infantil, o ciclo de alfabetização e os ensinos fundamental e médio, pilares da educação básica nacional. A abrangência do plano estende-se também à educação integral e inclusiva, ao desenvolvimento da educação profissional e tecnológica, ao ensino superior e à estrutura e funcionamento de todo o sistema educacional.
Ampliando o Financiamento para a Educação Pública
Uma das metas centrais do PNE é a elevação substancial do investimento público em educação. A proposta visa expandir os atuais 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 7,5% em um período de sete anos, com a ambição de alcançar 10% do PIB até o final de 2036. Esta projeção demonstra uma estratégia de longo prazo para fortalecer a base financeira do setor.
No âmbito da educação infantil, o plano estabelece o objetivo de universalizar a pré-escola em até dois anos, além de atender à totalidade da demanda por creches. Outras prioridades incluem alfabetizar todas as crianças até o término do segundo ano do ensino fundamental e expandir a jornada escolar para, no mínimo, sete horas diárias, impactando 50% das escolas públicas em cinco anos e chegando a 65% até 2036.
Desafios e a Importância da Persuasão
O presidente Lula sublinhou a necessidade de fiscalização contínua sobre as metas do Plano Nacional de Educação, argumentando que “nunca houve muita vontade com a educação nesse país”. Ele também fez um alerta sobre o complexo desafio de motivar crianças e adolescentes a estudar e a desenvolver apreço pela escola. “Nós é que temos que convencê-lo da importância da educação na formação da vida dele”, afirmou.
Críticas à Elitização e Defesa da Inclusão
Em seu discurso, o presidente criticou a postura de “gente formada” que, segundo ele, concebe a educação como um privilégio para poucos. “Esse país já teve gente que achou que ele deveria ser governado só para 35% da população. O restante é de invisíveis. Não pense que todo mundo gosta quando a gente fala de educação. Não pense que todo mundo gostou quando a gente falou de cota”, disparou.
Lula também apontou a existência de oposição ao discurso que prega a garantia de acesso à universidade para povos indígenas e quilombolas. “Nós é que temos que convencer as pessoas. Porque, se a gente não convencer, as pessoas ficam vulneráveis a qualquer discurso, por mais imbecil que seja”, lamentou.
Reação e Vigilância Societária
O presidente defendeu a atenção constante da sociedade e a reação enérgica contra violações de direitos no campo educacional, considerou fundamental a vigilância. “Quantas vezes nós ficamos indignados com a destruição das nossas universidades e não houve nenhuma reação? Quantas vezes nós ficamos indignados com o fim da bolsa de estudo das universidades e não houve reação?”, questionou, convocando a população a se manifestar.
Metas para o Ensino Médio e Superior
Para o ensino médio e técnico, o novo Plano Nacional de Educação projeta uma significativa expansão das matrículas na educação profissional e técnica, visando alcançar 50% dos estudantes dessa etapa, com metade dessas vagas na rede pública. O PNE também prevê a universalização do acesso à internet de alta velocidade em todas as escolas públicas do Brasil. No que tange ao ensino superior, a meta é ampliar para 40% o acesso de jovens entre 18 e 24 anos e qualificar o corpo docente, com 95% dos professores possuindo títulos de mestrado e doutorado.
Um PNE Focado na Qualidade e Equidade
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que o documento representa o melhor Plano Nacional de Educação já elaborado, com um foco inédito na equidade e na qualidade do ensino. “Pela primeira vez, nós traçamos vários objetivos diferentes, traçamos metas específicas que lidam com a qualidade e que dizem respeito à educação inclusiva, à educação indígena, quilombola, do campo e da linguagem de sinais”, afirmou o ministro, reforçando o caráter abrangente e inclusivo do plano.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-04/lula-diz-que-pais-nao-precisa-de-escola-civico-militar-na-educacao
