População brasileira envelhece e cresce menos, diz IBGE em Pnad Contínua 2025
© Paulo Pinto/Agência Brasil
Brasil, 17 de maio de 2025 – Um cenário de profundas mudanças demográficas emerge no Brasil, com a população envelhecendo e seu ritmo de crescimento atingindo patamares historicamente baixos. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) 2025, revelam um país em transição, com impactos significativos na composição etária e social da população brasileira.
### Crescimento Lento e Composição Demográfica
O contingente populacional do país alcançou 212,7 milhões de indivíduos no ano anterior, refletindo um modesto acréscimo de 0,39% em relação a 2024. Este é um dado que sublinha uma tendência de expansão populacional cada vez mais contida, visto que a taxa de crescimento tem permanecido abaixo de 0,60% desde 2021. A análise por gênero indica que as mulheres representam 51,2% da população, enquanto os homens constituem 48,8%.
### A População Brasileira Envelhece: Uma Pirâmide Invertida
A estrutura etária da população brasileira está em constante metamorfose, com a pirâmide etária exibindo um visível estreitamento da base e alargamento do topo no período compreendido entre 2012 e 2025. A proporção de pessoas com idade inferior a 40 anos diminuiu em 6,1% em 2025 na comparação com 2012. Em contrapartida, houve um aumento percentual nas faixas etárias mais elevadas: o grupo de 40 a 49 anos passou de 13% para 15% da população, a parcela entre 50 e 59 anos cresceu de 10% para 11,8%, e o segmento com 60 anos ou mais expandiu-se de 11,3% para 16,6%. Esse envelhecimento populacional é uma das principais revelações da pesquisa do IBGE.
### Disparidades Regionais e Perfil Racial do Brasil
As características demográficas da população brasileira não são uniformes em todo o território nacional. Regiões como Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais de jovens, com 22,6% e 19,1% da população até 13 anos, respectivamente. Em contraposição, Sudeste e Sul se destacam pela maior presença de idosos, ambos com 18,1% de indivíduos com 60 anos ou mais.
Simultaneamente, a forma como a população declara sua cor ou raça também apresentou modificações. Em todas as regiões do país, houve uma redução no número de pessoas que se autodeclaram brancas, caindo de 46,4% em 2012 para 42,6% em 2025. Por outro lado, a proporção de pessoas que se identificam como pretas cresceu de 7,4% para 10,4% no mesmo intervalo. A Região Norte foi a que registrou o maior incremento na população preta, passando de 8,7% para 12,9%. Já a Região Sul experimentou o maior crescimento de pessoas de cor ou raça parda (de 16,7% para 22%) e a maior queda na população autodeclarada branca (de 78,8% para 72,3%).
### Novas Dinâmicas Residenciais no País
A pesquisa do IBGE também aponta para uma transformação na composição dos lares brasileiros. O percentual de domicílios unipessoais, ou seja, de pessoas que vivem sozinhas, alcançou 19,7% em 2025, um aumento substancial em comparação com os 12,2% registrados em 2012. Apesar de o arranjo nuclear – caracterizado pela presença de pelo menos um casal ou de um dos pais com filhos – ainda ser o modelo predominante, representando 65,6% dos domicílios, sua participação diminuiu em relação aos 68,4% de 2012.
Interessantemente, a pesquisa detalha diferenças por idade e gênero entre os residentes únicos. Entre os homens que vivem sozinhos, a maior parte (56,6%) está na faixa etária entre 30 e 59 anos. Já entre as mulheres, o maior percentual (56,5%) de moradoras unipessoais se concentra entre aquelas com 60 anos ou mais.
No que tange à condição de ocupação dos domicílios, a proporção de imóveis alugados expandiu-se para 23,8%, representando uma alta de 5,4 pontos percentuais desde 2016. Em contraste, os domicílios próprios quitados recuaram para 60,2%, uma redução de 6,6 pontos percentuais no mesmo período. Também houve uma alteração no tipo de habitação: as casas, embora ainda majoritárias, viram sua proporção cair para 82,7%, enquanto os apartamentos subiram para 17,1%.
### Desafios e Avanços na Infraestrutura Básica
Os indicadores de infraestrutura para a população brasileira revelam progressos, mas as desigualdades regionais persistem como um desafio. O acesso à água por rede geral atingiu 86,1% dos domicílios, com uma disparidade notável entre áreas urbanas (93,1%) e rurais (31,7%). A Região Norte se destaca negativamente com o menor percentual de acesso à rede geral (60,9%) e uma expressiva quantidade de domicílios dependentes de poços profundos ou artesianos (22,8%). Por outro lado, o Sudeste demonstra eficiência com 92,4% do abastecimento de água vindo da rede geral.
No quesito saneamento, 71,4% dos domicílios brasileiros têm acesso à rede geral ou fossa ligada à rede. Contudo, esse índice cai drasticamente para 30,6% na Região Norte, onde formas mais precárias de esgotamento ainda predominam (39,3%). No Sudeste, o percentual de acesso à rede geral ou fossa séptica ligada à rede é significativamente maior, alcançando 90,7%.
A coleta direta de lixo por serviços de limpeza atinge 86,9% dos domicílios do país, um avanço de 4,2 pontos percentuais desde 2016. Norte e Nordeste registram os menores percentuais de coleta direta (ambos com 79,3%) e os maiores índices de lixo queimado nas propriedades (14,5% e 13%, respectivamente).
O acesso à energia elétrica se aproxima da universalização, com apenas 2,7% dos domicílios rurais sem ligação à rede, percentual que é de 0,5% nas áreas urbanas. A Região Norte, no entanto, ainda concentra os números mais críticos na zona rural, onde 15,1% dos domicílios não possuem acesso à rede geral de energia.
### Consumo e Acesso a Bens Duráveis
A pesquisa da PNAD Contínua 2025 também indicou um aumento no acesso a bens duráveis nos lares da população brasileira. Em 2025, 98,4% dos domicílios possuíam geladeira e 72,1% tinham máquina de lavar. Em 2016, esses índices eram de 98,1% e 63%, respectivamente. A posse de automóveis chegou a 49,1% dos domicílios, enquanto motocicletas estavam presentes em 26,2% das residências.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-04/populacao-no-brasil-cresce-em-ritmo-menor-e-esta-envelhecendo
