Furto de material biológico na Unicamp: o que se sabe sobre o caso
© Thomaz Marostegan/Unicamp
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tem sido palco de uma investigação que ganhou repercussão nacional após o furto de material biológico sensível de seus laboratórios. O caso, que veio à tona em março, resultou na prisão de uma professora da instituição e no aprofundamento das apurações pela Polícia Federal (PF).
Na última segunda-feira (23), a Polícia Federal prendeu em flagrante a professora Soledad Palameta Miller, vinculada à Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp. Ela é a principal suspeita de subtrair vírus de um laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia, que possui o nível máximo de biossegurança (NB-3).
Soledad foi liberada um dia após a detenção, após o pagamento de fiança. De acordo com as investigações policiais, há indícios de que ela tenha contado com a colaboração de seu marido, Michael Edward Miller, que é doutorando na mesma universidade. Michael Miller, além de veterinário, é proprietário de uma empresa de base tecnológica que integra a Incamp, a incubadora de empresas da Unicamp, conferindo-lhe acesso limitado ao campus.
O furto foi detectado pela Unicamp dias antes do dia 16 de março, data em que a instituição acionou formalmente a Polícia Federal. Desde então, a universidade iniciou uma investigação interna e passou a colaborar integralmente com as autoridades. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também foi acionada e está realizando a análise pericial dos materiais recuperados.
Os materiais biológicos furtados, que incluíam diversos tipos de vírus, não chegaram a sair do campus universitário. Eles foram encontrados em dois outros laboratórios da própria Unicamp: um na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e outro no Laboratório de Doenças Tropicais Professor Luiz Jacinto da Silva, pertencente ao Instituto de Biologia. A universidade esclareceu que, ao contrário das suspeitas iniciais, nenhum dos organismos subtraídos era geneticamente modificado.
Até o momento, a motivação por trás do furto permanece desconhecida para as autoridades. Tanto a professora Soledad Miller quanto seu marido, Michael Edward Miller, podem responder por furto qualificado e fraude processual.
Em nota oficial, a Unicamp caracterizou o incidente como um caso isolado, reafirmando que a instituição “é reconhecida em importantes rankings internacionais como a segunda melhor universidade da América Latina devido à qualidade de sua produção científica e à excelência e comprometimento de seu corpo docente, de seus funcionários e de seus alunos”. A universidade reiterou seu compromisso em colaborar com as autoridades policiais e judiciárias para o completo esclarecimento dos fatos.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-03/o-que-se-sabe-sobre-o-furto-de-material-biologico-da-unicamp
