Butantan produzirá medicamento avançado contra o câncer para o SUS em parceria com a MSD

Butantan produzirá remédio contra câncer para o SUS

© Rovena Rosa/Agência Brasil

O Instituto Butantan, em colaboração com a farmacêutica americana MSD, vai produzir um medicamento avançado contra o câncer para o Sistema Único de Saúde (SUS). A parceria é resultado de um edital do Ministério da Saúde lançado em 2024 e tem como objetivo nacionalizar a produção de 70% dos insumos de saúde utilizados no SUS em até 10 anos.

O medicamento em questão, pembrolizumabe, é uma terapia que estimula o sistema imunológico a combater células cancerígenas, sendo uma alternativa menos tóxica e de grande eficácia em comparação com a quimioterapia tradicional. Atualmente, o Ministério da Saúde já adquire o pembrolizumabe diretamente da MSD para tratar pacientes do SUS com melanoma metastático.

A Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, informou que cerca de 1,7 mil pessoas são atendidas anualmente com este medicamento, a um custo de R$ 400 milhões. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS) está avaliando a inclusão do pembrolizumabe para o tratamento de outros tipos de câncer, como os de colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão, o que pode elevar a demanda para cerca de 13 mil pacientes por ano, segundo estimativas da MSD.

Fernanda de Negri destacou que a parceria trará benefícios como a redução de custos, através da transferência gradual de tecnologia para que o Butantan assuma a produção do medicamento. Outros benefícios incluem a prioridade no fornecimento e o desenvolvimento tecnológico. Segundo ela, “O objeto dessa parceria é uma molécula nova, e o Butantan vai desenvolver a capacidade de produzir esta molécula e acima de tudo desenvolver a competência para produzir outras moléculas similares no futuro.” A produção nacional também garante maior segurança no fornecimento do medicamento aos pacientes brasileiros.

Rodrigo Cruz, diretor executivo de Relações Governamentais da MSD Brasil, explicou que a transferência de tecnologia do pembrolizumabe para o Butantan terá início após a aprovação da inclusão do medicamento para os novos tratamentos no SUS. O processo de incorporação das etapas de produção será gradual, ao longo de dez anos. “No começo, a é que eles aprendam como se faz a rotulagem, o envase, para depois passar para formulação e aí sim chegar à etapa final que é a produção do medicamento em si. Todas as etapas estão previstas dentro do projeto. Leva até oito anos para produzir o Ifa [ingrediente farmacêutico ativo] nacional e, a partir daí, finalizar o remédio 100% nacional.”

O anúncio da parceria ocorreu durante o evento Diálogo Internacional – Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde, no Rio de Janeiro. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou remotamente da abertura, ressaltando a importância da cooperação internacional para o desenvolvimento do país: “Não tem como enfrentar esses desafios sem forte cooperação internacional. A saúde deixou de ser apenas uma política social e passou também a ser um eixo central do desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados.” Padilha também destacou a estrutura do SUS como um dos maiores mercados estruturados do mundo em saúde.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-03/butantan-produzira-remedio-contra-cancer-para-o-sus

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