Operação Pole Position desarticula esquema de cambismo no MotoGP Goiânia 2026
A Polícia Civil de Goiás (PCGO) deflagrou nesta sexta-feira (20/3) a “Operação Pole Position”, visando desarticular um esquema de cambismo ligado ao aguardado MotoGP Goiânia 2026. A ação resultou na prisão de um indivíduo suspeito de desviar e revender ingressos oficiais do evento, com preços inflacionados em até 300%.
Segundo as investigações da 4ª Delegacia de Polícia de Goiânia, o esquema envolvia o acesso privilegiado a ingressos por meio de uma agência de viagens, que também se tornou alvo das apurações. Foram cumpridos um mandado de prisão temporária e cinco mandados de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia, tendo como investigados três pessoas físicas e duas empresas do ramo de turismo.
O delegado William Bretz, responsável pelo caso, explicou que a investigação teve início após a identificação de anúncios de ingressos com preços “exorbitantes” na internet. “A Polícia Civil de Goiás, ao tomar conhecimento, na sexta-feira passada, da prática de cambismo estruturado envolvendo o Grande Prêmio Internacional MotoGP, iniciou, de imediato, as buscas na rede mundial de computadores, onde foi possível constatar esse suspeito oferecendo e anunciando esses ingressos a todo o público, com esses valores exorbitantes”, afirmou o delegado.
A investigação aponta que pessoas jurídicas ligadas ao evento teriam repassado ingressos destinados a pacotes turísticos para o suspeito preso, que os revendia com grande margem de lucro. O delegado Bretz ressaltou que a conduta configura crime de cambismo, previsto na Lei Geral do Esporte, com penas que podem ser agravadas quando há facilitação ou distribuição de ingressos para revenda. “Cumpre destacar que vender ingresso para evento esportivo obtendo algum tipo de ágio caracteriza o crime de cambismo, previsto no artigo 166 da Lei Geral do Esporte e é o resultado de uma opção do legislador para trazer uma reprimenda mais gravosa para essa conduta”, disse.
Bretz complementou: “Então, diferente de outras práticas de cambismo relacionadas a eventos, neste caso, nós temos uma pena mais alta que pode chegar até seis anos, para quando ocorre a facilitação para o cambismo, a distribuição, como é o caso em comento”.
A operação ganha relevância com a proximidade do retorno da elite da motovelocidade ao Brasil após 20 anos, no Autódromo Internacional de Goiânia Ayrton Senna. O evento tem potencial para atrair cerca de 150 mil visitantes e gerar um impacto econômico estimado em R$ 868 milhões para a região.
As autoridades reforçam que os ingressos legítimos são nominais, vinculados ao CPF e vendidos exclusivamente pela plataforma Eventim Brasil. A Polícia Civil também investiga uma lista com cerca de 180 nomes de possíveis compradores e apura se todos os bilhetes foram revendidos. A orientação é que o público adquira entradas apenas em canais oficiais para evitar falsificações e combater a prática criminosa.
