CPI do Crime Organizado avança em investigação sobre fraudes do Banco Master e mira beneficiários finais.

CPI do Crime aprova pedido para investigar beneficiários do Banco Master

© Saulo Cruz/Agência Senado

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado avançou nas investigações sobre o esquema de fraudes do Banco Master, aprovando requerimentos que buscam identificar os beneficiários finais dos fundos vinculados ao banco e à Reag Investimentos. O objetivo é rastrear o fluxo de lavagem de dinheiro, frequentemente oculto por múltiplas camadas de fundos.

Entretanto, a Comissão rejeitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, apontado por parlamentares como possível facilitador das fraudes por meio de políticas de desregulação do mercado financeiro. Também foi negada a convocação do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, como testemunha, apesar de revelações sobre doações de um familiar de Daniel Vorcaro para a campanha de Bolsonaro.

Em contrapartida, a CPI aprovou a convocação da empresária Martha Graeff, ex-noiva de Vorcaro, que teria recebido um imóvel de alto valor, levantando suspeitas de ocultação de patrimônio. Além disso, foi determinada a convocação de dirigentes e sócios, bem como a quebra de sigilos da Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro e utilizada para transportar aliados. A senadora Soraya Thronicke (Podemos/MG) justificou que a empresa seria uma “peça central” no esquema de lavagem de dinheiro, tendo inclusive cedido aeronave para campanha do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

O ex-governador do Mato Grosso (MT), Pedro Taques, também será convocado para depor sobre fraudes em créditos consignados que prejudicaram servidores estaduais.

Ainda, o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, não compareceu à sessão da CPI após uma decisão do STF que tornou seu depoimento opcional.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), enfatizou a dificuldade de rastrear o beneficiário final nesses esquemas, onde “o capital ilícito é inserido no mercado financeiro formal e distanciado de sua origem criminosa por meio de sucessivas transações aparentemente regulares”.

A oposição criticou a rejeição dos pedidos de quebra de sigilo de integrantes do governo Bolsonaro. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) contrapôs, afirmando que o esquema do Banco Master “aconteceu sob a guarda e a proteção do Banco Central, do Ministério da Fazenda e de um campo político” durante a gestão anterior.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-03/cpi-do-crime-aprova-pedido-para-investigar-beneficiarios-do-banco-master

What do you feel about this?