Tesouro Nacional intervém massivamente no mercado para conter juros futuros em meio a incertezas
© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
O Tesouro Nacional intensificou a recompra de títulos públicos, atingindo R$ 43,6 bilhões em dois dias, a maior intervenção em mais de uma década. A ação visa conter a alta dos juros futuros, influenciada por incertezas globais, como o conflito no Irã e a escalada dos preços do petróleo, e também por preocupações internas, incluindo a possibilidade de uma nova paralisação de caminhoneiros.
O volume de recompras já supera as ações tomadas durante a pandemia de Covid-19. Na terça-feira, foram recomprados R$ 9,05 bilhões em títulos prefixados pela manhã, seguidos por R$ 7,07 bilhões em papéis atrelados à inflação à tarde.
“Levantamentos de mercado indicam que a magnitude atual também supera episódios de estresse como as manifestações de 2013 e a greve dos caminhoneiros de 2018.”
A atuação do Tesouro chama atenção por ocorrer na semana da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, período em que tradicionalmente se evitam intervenções para não influenciar a política monetária. A expectativa é de que o Copom anuncie um corte na Selic, embora as projeções estejam divididas.
A avaliação técnica é de que o Tesouro adotou uma postura mais agressiva para evitar problemas maiores no mercado. A continuidade das intervenções dependerá das condições de mercado.
Apesar da atuação do Tesouro, o mercado permanece pressionado. “A possibilidade de greve de caminhoneiros, revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, elevou a percepção de risco, relembrando impactos econômicos observados em 2018, como alta da inflação e pressão fiscal.” A taxa de juros para janeiro de 2027 subiu para 14,13% ao ano.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/tesouro-faz-maior-intervencao-em-titulos-publicos-em-mais-de-10-anos
