Tragédia em Juiz de Fora: Buscas Encerradas e Mortos Chegam a 72 Após Chuvas e Deslizamentos
© Rovena Rosa/Agência Brasil
As buscas por vítimas das fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, foram oficialmente encerradas pela Polícia Civil de Minas Gerais. O corpo de Pietro, um menino de 9 anos que estava desaparecido, foi encontrado no último sábado, no bairro Paineiras. Com a localização de Pietro, o número de mortos em decorrência das chuvas subiu para 72, segundo atualização da Polícia Civil. Desse total, 65 corpos foram identificados em Juiz de Fora e Ubá. As autoridades continuam as buscas por uma pessoa ainda desaparecida em Ubá, com planos de intensificar os esforços na região.
Uma equipe da Agência Brasil esteve em Juiz de Fora na última sexta-feira, no bairro Paineiras, uma área de classe média marcada por casarões antigos e prédios residenciais. Moradores ainda se encontravam desalojados após um deslizamento de terra que atingiu imóveis na noite da segunda-feira anterior. A Defesa Civil, temendo novos desmoronamentos devido à instabilidade no Morro do Cristo, orientou a retirada das famílias.
O engenheiro civil Guilherme Belini Golver, morador do bairro, relatou a situação crítica durante o temporal: “Quando eu saí, já havia muita água, parecia um rio, de cor assim, amarronzada. Tava igualzinho um rio”. Ele teve que deixar sua casa após o deslizamento e tem retornado apenas para limpar a lama e vigiar o imóvel, que ficou vulnerável. “A Defesa Civil pediu para a gente sair porque não se sabe a gravidade, né? Não sabe se pode vir mais alguma coisa lá do Morro do Cristo”.
Na mesma rua, um policial penal perdeu a vida durante o deslizamento. O motoboy Paulo Barbosa Siqueira, morador de um dos prédios atingidos, relatou o momento do desabamento: “No momento eu tinha ido buscar minha irmã no serviço por causa da chuva. Quando curvei aqui para entrar no prédio, já tinha caído tudo”. Segundo ele, moradores precisaram improvisar uma rota de fuga entre apartamentos para escapar.
Os moradores aguardam autorização para retornar aos imóveis e retirar seus pertences, mas o acesso permanece interditado devido ao risco estrutural. “A gente quer pegar o básico, documento, roupa. A gente está sem nada, de favor na casa dos outros. A gente está usando roupa dos outros. Sem nada para comer”, desabafa Paulo, que também relatou que “Até agora a Defesa não deu um parecer para a gente, nem bombeiro”. Além disso, moradores denunciam saques durante a madrugada nos imóveis interditados.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-03/chuvas-em-minas-buscas-em-juiz-de-fora-estao-encerradas
