Vulnerabilidade Social Afeta Crescimento de Crianças Indígenas e do Nordeste
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Um estudo com a participação de especialistas da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia (Cidacs/Fiocruz Bahia) revelou que crianças indígenas e de estados do Nordeste, com até 9 anos, apresentam altura inferior à média de outras regiões do país e abaixo do padrão estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A pesquisa aponta que essa vulnerabilidade social está ligada a problemas na atenção à saúde, alimentação inadequada, alta incidência de doenças, baixo nível socioeconômico e condições ambientais precárias.
O levantamento também indica que cerca de 30% das crianças brasileiras enfrentam problemas de sobrepeso ou estão próximas dessa condição, demonstrando que a vulnerabilidade social não protege as crianças do excesso de peso, expondo-as a fatores que comprometem o crescimento saudável.
O estudo analisou dados de 6 milhões de crianças brasileiras inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), desde o nascimento até os 9 anos de idade. Os pesquisadores cruzaram dados de saúde e condições socioeconômicas dessas crianças.
Gustavo Velasquez, pesquisador associado ao Cidacs/Fiocruz BA e líder do estudo, esclareceu que as conclusões não significam que todas as crianças indígenas e do Norte e Nordeste sejam consideradas de baixa estatura, mas sim que uma parcela significativa pode ser classificada dessa forma. Ele também garantiu a segurança e o anonimato dos dados utilizados na pesquisa. “Todos os dados são seguros e altamente anonimizados. Não há identificação das pessoas que estão lá. São dados administrativos que se usa para pesquisas em saúde”.
O estudo também analisou a prevalência de sobrepeso e obesidade, revelando que, em termos de peso, não há um problema generalizado de subnutrição no Brasil. No entanto, algumas regiões, como Sul, Sudeste e Centro-Oeste, apresentam altas taxas de sobrepeso. No Centro-Oeste, 28,1% das crianças estão com sobrepeso e 13,9% com obesidade.
A pesquisa constatou que, em geral, as crianças brasileiras estão acompanhando ou acima das referências de peso da OMS, o que não indica necessariamente gravidade, mas requer atenção, pois algumas crianças já atingem valores anormais. Em relação à altura, a média das crianças brasileiras acompanha as referências internacionais, indicando um desenvolvimento linear adequado.
Velasquez enfatizou a importância do acompanhamento da criança durante a gestação e na fase pós-natal, na atenção primária de saúde, para garantir um crescimento e desenvolvimento saudáveis. Ele também alertou para o impacto da alimentação, destacando “Nós temos uma invasão agora de alimentos ultraprocessados, que são considerados como um dos grandes determinantes do aumento de peso, não somente nas crianças, mas em todas as populações”.
O estudo foi publicado na revista JAMA Network e recebeu comentários de pesquisadores internacionais, que ressaltaram a importância de aprender com a situação brasileira. Em relação ao sobrepeso, os pesquisadores estrangeiros consideraram que a situação no Brasil não é tão grave em comparação com outros países da América Latina, como Chile, Peru e Argentina, colocando o Brasil em um nível intermediário em relação a esse problema em nível mundial.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-02/vulnerabilidade-reduz-altura-media-de-criancas-indigenas-e-nordestinas
