Trio preso por morte de ex-delegado Ruy Ferraz é ligado ao PCC e foi detido por ele em 2005
© Ruy Ferraz Fontes/Arquivo pessoa
A Polícia de São Paulo prendeu, nesta terça-feira (13), três indivíduos acusados de envolvimento na morte do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, assassinado em setembro do ano passado em Praia Grande, litoral paulista. As prisões ocorreram em Santos e Jundiaí.
De acordo com o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, os detidos são suspeitos de serem assaltantes de banco que haviam sido presos por Ruy Ferraz em 2005. Gonçalves acredita que a motivação do crime esteja ligada à atuação do ex-delegado contra o crime organizado, embora outras linhas de investigação não tenham sido descartadas. “Todos eles tiveram contato direto com o Ruy, que os prendeu. E ficou essa mágoa. [Foi] uma resposta ao Ruy”, afirmou o secretário.
A polícia também investiga se a execução de Fontes tem relação com o período em que ele atuou na prefeitura de Praia Grande, onde ocupava o cargo de secretário de administração. No dia do crime, Fontes foi perseguido e alvejado com tiros de fuzil após sair da prefeitura, vindo a falecer no local.
Ruy Ferraz, que atuou como delegado por mais de 40 anos, foi responsável pela prisão de diversas lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos anos 2000.
Os presos foram identificados como Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, vulgo Azul ou Careca; Márcio Serapião de Oliveira, conhecido como Velhote; e Manuel Alberto Ribeiro Teixeira, apelidado de Manezinho. As investigações apontam que eles foram responsáveis pelo planejamento, organização e logística do assassinato. O trio possui histórico criminal, incluindo passagens por roubo a banco, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Segundo a polícia, o planejamento para a morte de Fontes teve início em março de 2025, e o ex-delegado passou a ser monitorado a partir de junho do mesmo ano. Fernando Alberto, o Azul, é apontado como líder do PCC na Baixada Santista e teria comandado as ações para o assassinato. A polícia busca identificar possíveis mandantes acima dele.
O delegado Ronaldo Sayeg, diretor do DEIC, afirmou que a investigação busca provas técnicas para identificar quem acionou o mecanismo do crime, complementando que: “A investigação tem que ser muito responsável quando apontar um nome neste sentido. Precisamos seguir as provas técnicas e está faltando esta última pecinha, de quem foi a pessoa que colocou esse mecanismo todo para funcionar. Talvez exista essa peça acima, coisa que o Ministério Público nem acredita, mas a investigação vai dizer”.
Na operação, foram apreendidos celulares, computadores e outros materiais que auxiliarão na continuidade das investigações. Até o momento, 13 pessoas foram presas no âmbito deste caso, sendo que cinco foram liberadas com o uso de tornozeleira eletrônica, e duas permanecem foragidas.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-01/detidos-por-morte-de-ex-delegado-tinham-sido-presos-por-ele-em-2005
