Correios anunciam plano de reestruturação com possível abertura de capital para enfrentar déficits

Correios estudam abrir capital e fazem empréstimo de R$ 12 bi com bancos 

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Os Correios anunciaram um plano de reestruturação visando reverter os déficits financeiros acumulados desde 2022. Uma das medidas em estudo é a alteração do regime societário da empresa, abrindo a possibilidade de capitalização. Atualmente 100% pública, a estatal poderá se tornar uma empresa de economia mista, a exemplo da Petrobras e Banco do Brasil, com a inclusão de acionistas privados.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, declarou que aguarda propostas de consultoria para definir as mudanças. “Hoje não tem um olhar sobre privatização, mas tem um olhar sobre parcerias, inclusive societárias. Tem exemplos de sociedade de economia mista que funcionam. Tem exemplos em que, não há sociedade de economia mista, mas há parcerias específicas para temas relevantes, como negócios financeiros e seguridade”, afirmou Rondon.

Além da possível mudança societária, o plano de reestruturação prevê o fechamento de mil agências próprias e a implementação de dois planos de demissão voluntária (PDVs), com o objetivo de reduzir o quadro de funcionários em 15 mil até 2027. A companhia estima cortar R$ 5 bilhões em despesas até 2028, através da venda de imóveis e dos PDVs.

Para equilibrar as finanças, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander), com R$ 10 bilhões já liberados em 2025 e o restante previsto para janeiro de 2026. O empréstimo possui carência de três anos. Segundo Rondon, “[esse empréstimo] vai permitir a adimplência nos contratos com fornecedores, nos benefícios de empregados e nos tributos. Contas em dia, com a qualidade da operação recuperada, a gente volta a ter confiança no mercado”.

Ainda assim, a estatal busca mais R$ 8 bilhões em receitas, que poderão vir de novos empréstimos ou aportes do Tesouro Nacional. “Essa necessidade de captação vai ser vista ao longo do ano de 2026, para ver se a melhor opção é aporte [do Tesouro] ou outra operação de crédito. Ainda não está definido como a gente faz a composição”, explicou Rondon.

A reestruturação é motivada pelos déficits sucessivos, que chegam a R$ 4 bilhões anuais, decorrentes do cumprimento da regra de universalização dos serviços. Nos nove primeiros meses de 2025, o saldo negativo é de R$ 6 bilhões, com um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões.

A direção dos Correios atribui a crise financeira à digitalização das comunicações, que reduziu a receita com a diminuição do envio de cartas, e ao aumento da concorrência no comércio eletrônico. Emmanoel Rondon comparou a situação da estatal brasileira com a da empresa pública dos Estados Unidos (USPS), que também enfrenta dificuldades financeiras e anunciou medidas para enfrentar os déficits.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-12/correios-estuda-abrir-capital-e-faz-emprestimo-de-r-12-bi-com-bancos

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