Vírus K da Influenza A: Identificado no Brasil, sem motivo para preocupação imediata, diz especialista
© Marcello Casal JrAgência Brasil
A identificação no Brasil de um novo tipo do vírus influenza A (H3N2), conhecido como “vírus K”, não representa, no momento, um motivo de grande preocupação, segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri. O especialista explica que a circulação de variantes do influenza é um fenômeno natural do vírus, e que não há dados suficientes para antecipar um impacto significativo na próxima temporada de gripe. “Não sabe se essa vai ser a variante circulante e predominante ainda no mundo. Está começando a temporada no Hemisfério Norte. Nem sabemos se vai ser a temporada do H3N2 ou se vai vir outro H1N1. Isso é tudo muito teórico ainda”, disse Kfouri.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma nota alertando para o rápido aumento da circulação da variante K do Influenza A no Hemisfério Norte, principalmente na Europa, América do Norte e Leste Asiático. Na Europa, a atividade da influenza começou mais cedo que o normal, com a variante K representando quase metade dos casos de infecção reportados entre maio e novembro de 2025. Até o momento, não foram observadas mudanças significativas na gravidade clínica, como internações hospitalares, admissões em unidades de terapia intensiva ou óbitos.
O Ministério da Saúde informou sobre a identificação de um caso da variante K no Brasil, no estado do Pará. A amostra com a presença da nova variante foi coletada em Belém (PA) e analisada pelo Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen-PA), sendo posteriormente encaminhada ao Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) para sequenciamento genético. O caso se refere a uma paciente adulta, estrangeira, vinda das ilhas Fiji, classificado como importado, e não há evidências de transmissão local associada à variante no Brasil até o momento.
Kfouri ressalta que a detecção de novas variantes é um evento esperado. “Todo ano temos novidade do influenza. É da natureza do vírus sofrer mutações e causar epidemias anuais. Por isso, que precisamos tomar vacina todo ano. As vacinas são atualizadas conforme o que se consegue prever do que vai circular na temporada seguinte”, explicou. Ele também destaca que a vacinação continua sendo a principal ferramenta de prevenção, mesmo quando há alguma distância genética entre a vacina e o vírus circulante, a proteção permanece, especialmente contra formas graves da doença. “O que faz às vezes com que a efetividade da vacina seja um pouco maior no ano do que no outro ano, mas nunca se perde a efetividade. Há sempre alguma perspectiva ou expectativa de proteção, especialmente contra desfechos mais graves de hospitalização e morte”, disse.
A composição da vacina recomendada pela OMS foi atualizada em setembro, com cepas mais próximas das atualmente em circulação, incluindo o subclado K, segundo Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC. Além da vacinação, as recomendações incluem higienização frequente das mãos, evitar contato próximo em caso de sintomas respiratórios, uso de máscara e busca por atendimento médico, especialmente diante de febre. Para os serviços de saúde, a principal orientação é manter o fortalecimento contínuo da vigilância epidemiológica, laboratorial e genômica.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-12/e-cedo-para-alarme-com-virus-k-no-brasil
