Esther Dweck defende estatais e critica privatizações: “Patrimônio do povo brasileiro”
© Tomaz Silva/Agência Brasil
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, defendeu enfaticamente o papel das empresas estatais para o desenvolvimento do país, contrastando com a visão de que a privatização seria sempre a melhor solução. A declaração ocorreu durante o evento “Democracia e Direitos Humanos: Empresas Juntas por um Brasil Mais Igualitário”, no BNDES, no Rio de Janeiro.
Dweck argumentou que as estatais são “patrimônio do povo brasileiro” e essenciais para o desenvolvimento sustentável, com responsabilidade econômica, ambiental e social. Ela ressaltou a importância destas empresas na construção de infraestrutura, integração de regiões, geração de empregos, garantia da soberania e segurança energética, além de pesquisa, inovação e serviços essenciais. “Sem elas, muitos direitos e serviços e oportunidades simplesmente não existiriam”, afirmou a ministra.
A ministra também criticou a visão de que a privatização é sempre a solução para os problemas, mencionando o caso da Enel em São Paulo, criticada pela demora no restabelecimento de energia após eventos climáticos extremos, gerando transtornos à população. “Imagina em um bairro de classe média e baixa, pessoas ficarem sem geladeira por dois dias, por exemplo, tudo que elas têm. Uma situação extremamente grave”, ressaltou.
Dweck abordou a situação dos Correios, que enfrenta dificuldades financeiras, destacando que a empresa cumpre um papel constitucional de universalização do serviço postal, estando presente em todos os municípios brasileiros, o que acarreta custos. Ela mencionou que o governo está trabalhando em um plano de reestruturação para a empresa, para que ela possa repensar a sua atuação e que o governo espera aprovar em breve, e criticou a inclusão dos Correios em listas de privatização em governos anteriores, o que teria inibido investimentos.
A ministra enfatizou o potencial de investimento das estatais, citando dados do Banco Central que mostram que 23 empresas investiram R$ 12,5 bilhões em 2,5 anos, valor significativamente maior que o investido no mesmo período do governo anterior.
No mesmo evento, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, defendeu um pacto entre empresas e direitos humanos, afirmando: “A gente quer as empresas do nosso lado como agente de transformação, nos ajudando a tecer um mundo melhor. Escolher um pacto pela transformação, pela vida, pela dignidade e pela democracia”.
Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração da Magazine Luiza, apresentou iniciativas da empresa em prol da diversidade, como o programa de trainee voltado para pessoas negras.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, criticou a aprovação de um projeto de lei em Santa Catarina que proíbe cotas para negros em universidades estaduais, enfatizando a importância da criação de oportunidades para combater a desigualdade.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-12/estatais-nao-sao-peso-sao-patrimonio-defende-ministra-da-gestao
