Defesa de Motta a servidora investigada expõe tensões no caso do “orçamento secreto”

Câmara vai declarar perda do mandato de Zambelli, diz Motta

© Lula Marques/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou apoio à servidora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, após ela ser alvo de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal. Fialek, que já trabalhou para o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, é investigada por suposto envolvimento no esquema do “orçamento secreto”.

Motta, em nota, afirmou que Fialek é uma “técnica competente, responsável e comprometida com a boa gestão da coisa pública”, ressaltando sua importância no “aprimoramento dos sistemas de rastreabilidade da proposição, indicação e execução de emendas parlamentares”.

As investigações indicam que a ex-assessora de Lira seria responsável por direcionar a liberação de emendas do “orçamento secreto”, um mecanismo de alocação de recursos públicos sem a devida identificação dos responsáveis pelas indicações e dos beneficiários.

Apesar da investigação, Motta declarou não ter encontrado na decisão do ministro do STF, Flávio Dino, que autorizou as buscas, “nenhum ato de desvio de verbas públicas. Nenhum”. Ele também ponderou sobre a importância de não confundir a “mera indicação de emendas parlamentares”, que não seriam impositivas, com a execução final das verbas.

As investigações tiveram como base o depoimento de seis parlamentares e de uma servidora da Câmara, que relataram o envio de ofícios da Presidência da Câmara, por Tuca, ordenando a liberação de emendas, especialmente para Alagoas.

A Polícia Federal solicitou as buscas após constatar a ausência de mensagens salvas em dispositivos eletrônicos e nuvens de dados da servidora, mesmo diante de indícios da prática de crimes. O ministro Flávio Dino, ao autorizar as buscas, mencionou a “concreta possibilidade” de que Fialek tenha adotado condutas para impedir o backup de seus dados sensíveis, mantendo-os em meios físicos. Dino também destacou indícios de “uma atuação contínua, sistemática e estruturada” na organização do orçamento secreto e reforçou a suspeita de “redirecionamento forçado” de recursos de emendas por Lira.

Em relatório parcial, a PF apontou que Tuca ocupou cargos estratégicos em empresas públicas e no Legislativo desde 2020, sempre por indicação de Lira, o que a permitia manipular o direcionamento de emendas. Os investigadores destacaram “o incomum desapego à formalidade” na formulação do Orçamento da União, comparando a organização do orçamento secreto coordenado por Tuca a uma “conta de padaria”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-12/motta-elogia-servidora-alvo-da-pf-e-diz-que-dino-nao-aponta-desvio

What do you feel about this?