Acordo de Paris: 10 anos de um pacto histórico, mas metas climáticas ainda distantes
© Ralf Vetterle/Pixabay
O Acordo de Paris, tratado internacional central para o enfrentamento da crise climática, completa 10 anos nesta sexta-feira. Apesar de ser considerado um marco histórico desde sua adoção na COP21 em 2015, a ONU alerta que o mundo ainda está distante de alcançar a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C, um ponto considerado crítico para evitar impactos severos e irreversíveis.
O IPCC aponta que as emissões globais precisam diminuir 43% até 2030 para que a meta de aquecimento global seja alcançada. Os países estão sob pressão para fortalecerem suas NDCs e acelerar a transição para economias de baixo carbono.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou que “2026 deve marcar o início de uma nova década de implementação”, além de afirmar que: “Estou plenamente convencido: o Acordo de Paris está funcionando. E continuo tão convicto quanto antes: a ação climática precisa ir além e ser mais rápida. Os últimos dez anos foram os mais quentes já registrados. Estamos testemunhando tragédias humanas, destruição ecológica e crises econômicas em tempo real, com a devastação aumentando à medida que as temperaturas continuam subindo”.
Ainda de acordo com Guterres: “No entanto, graças ao Acordo de Paris, não estamos mais no caminho para um aquecimento superior a 4°C — um cenário insustentável. Em vez disso, a trajetória global está mais próxima de 2,5°C”.
Durante a COP30, que será sediada em Belém, Guterres ressaltou que os países reconheceram a importância de limitar o aquecimento global e que é necessário um plano de aceleração que preencha a lacuna entre ambição, adaptação e financiamento.
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, ressaltou a importância do tratado para “destravar” a ação climática, já que, segundo ele: “Há dez anos, a ação climática estava emperrada, com muitos obstáculos. O Acordo de Paris possibilitou dar uma nova dinâmica ao combate à mudança do clima”, e complementou dizendo que: “À época das negociações, a ciência indicava que o mundo caminhava para um aumento de cerca de 4°C na temperatura média global. Agora, graças aos esforços realizados desde o Acordo de Paris, nós estamos em 2,5°C. Mas, ainda precisamos evitar ultrapassar 1,5 °C. Então, há muito a ser feito”.
Christiana Figueres, que era secretária executiva da UNFCCC em 2015, expressou pessimismo sobre o alcance das metas, afirmando que: “O que eu quero lembrar às pessoas hoje é o seguinte: mesmo com o Acordo de Paris, já está muito claro que não podemos resolver a mudança climática – é tarde demais. Ao mesmo tempo, não precisamos nos condenar aos piores impactos da mudança climática”, e completou dizendo que: “A chave agora é acelerar o ritmo: implementar de forma responsável a redução das emissões e a regeneração dos nossos ecossistemas naturais. Em consonância com o Acordo de Paris, para que nossos filhos, nossos netos e todas as gerações futuras possam vivenciar seus próprios momentos de alegria, de união por algo maior do que eles mesmos”.
O Acordo de Paris, em vigor desde 2016 e adotado por 195 Estados Partes, estabeleceu um compromisso global para conter a crise climática, funcionando em ciclos de cinco anos, nos quais cada país apresenta seus planos climáticos, detalhando estratégias de adaptação e diretrizes para a neutralidade de carbono. A cooperação internacional é um pilar central, apoiando países em desenvolvimento com financiamento, tecnologia e capacitação, com o Quadro de Transparência Reforçado monitorando o progresso e alimentando o balanço global.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-12/acordo-de-paris-completa-10-anos-com-alerta-por-metas-insuficientes
