Críticas do Setor Produtivo à Manutenção da Selic em 15% ao Ano

Setor produtivo critica cautela do BC e cobra início do corte de juros

© CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

A manutenção da Taxa Selic em 15% ao ano pelo Banco Central tem gerado críticas por parte do setor produtivo em Goiás. Apesar da expectativa do mercado, entidades empresariais e sindicais expressaram preocupação com o impacto da decisão no crescimento econômico do estado, em um cenário de inflação em queda e desaceleração da economia.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota avaliando que o BC desconsiderou “evidências robustas” que permitiriam o início de um ciclo de redução da Selic. O presidente da entidade, Ricardo Alban, considerou a manutenção dos juros “excessiva e prejudicial”, intensificando a perda de ritmo da atividade econômica, encarecendo o crédito e inibindo investimentos em Goiás.

No setor do comércio, Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), argumenta que o BC mantém uma política desconectada da conjuntura nacional e internacional, lembrando que outros países já iniciaram cortes de juros. Queiroz acredita que a postura atual “prejudica investimentos, consumo e agrava entraves estruturais”, dificultando a política fiscal.

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) adotou um tom mais moderado, considerando a manutenção esperada devido a um ambiente ainda delicado. O economista Ulisses Ruiz de Gamboa apontou que a inflação e as expectativas permanecem acima da meta, com um contexto de expansão fiscal, resiliência do mercado de trabalho e incertezas internacionais.

Entre as centrais sindicais, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a decisão como um “descumprimento das necessidades da população e do setor produtivo”. Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT, afirmou que a Selic elevada desvia recursos do investimento produtivo para o “rentismo”.

A Força Sindical foi mais incisiva, classificando a decisão como “vergonha nacional”. O presidente da entidade, Miguel Torres, argumenta que o Copom favorece especuladores e prejudica a economia com juros elevados, afetando campanhas salariais, limitando o consumo e dificultando o desenvolvimento. “Estamos vivendo a era dos juros extorsivos”, declarou em comunicado.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-12/setor-produtivo-critica-cautela-do-bc-e-cobra-inicio-do-corte-de-juros