Câmara retoma trabalhos após deputado ser retirado à força e anuncia apuração de excessos contra a imprensa
© Lula Marques/Agência Brasil.
Após um episódio de tensão na Câmara dos Deputados, a sessão foi retomada sob a presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB). O incidente ocorreu após a remoção forçada do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) da mesa diretora pela Polícia Legislativa Federal. A sessão foi reiniciada com a discussão de um projeto sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR), numa tentativa de atenuar os ânimos.
Ainda na pauta, está previsto o debate sobre o projeto de lei que trata da dosimetria da pena dos condenados nos eventos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, com potencial para reduzir as sanções.
Em pronunciamento após o ocorrido, Hugo Motta enfatizou que “A cadeira da presidência não pertence a mim, ele pertence à República, pertence à democracia, pertence ao povo brasileiro. E nenhum parlamentar está autorizado a transformá-la em instrumento de intimidação, espetáculo ou desordem. Deputado pode muito, mas não pode tudo. Na democracia, ele pode tudo dentro da lei e do dentro do Regimento. Fora disso, não é liberdade, é abuso”. O presidente da Câmara também garantiu que a instituição não será aviltada e que o rito regimental será respeitado.
Motta informou que determinou a apuração de denúncias de excessos contra a imprensa durante a ação. O sinal da TV Câmara foi interrompido e jornalistas foram retirados do local, impossibilitados de cobrir o incidente. Há relatos de agressões a profissionais por policiais legislativos.
Glauber Braga, após ser retirado do plenário com as roupas rasgadas, criticou a ação em declarações à imprensa, afirmando que houve “docilidade” com “golpistas” em situações anteriores, contrastando com a “porrada” contra quem não segue o “jogo” da Mesa.
A ocupação da mesa por Braga foi motivada pelo anúncio de Hugo Motta de que levaria ao plenário o pedido de cassação de seu mandato, juntamente com os processos de Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ). Braga pode perder o mandato devido a um incidente ocorrido no ano passado, quando agrediu um membro do MBL.
O deputado também expressou preocupação com a possibilidade de que a votação de sua cassação ocorra em conjunto com a discussão sobre a “anistia” dos condenados pelo 8 de janeiro, o que, segundo ele, poderia beneficiar Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-12/camara-retoma-trabalhos-apos-retirada-forca-de-braga
