Marcas de um crime: A luta de uma sobrevivente e o trauma de sua filha.
© Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil
A agente de educação infantil Evelyn Lucy Alves da Luz, do Rio de Janeiro, revive o trauma de uma tentativa de feminicídio ocorrida em 2017. Os tiros disparados pelo ex-marido, em frente à filha de seis anos, deixaram marcas físicas e emocionais profundas. “Ele desferiu os tiros na frente da criança. Ela presenciou a mãe sendo quase morta, tornando esse crime ainda mais cruel”, relatou à Agência Brasil.
Evelyn compartilha que a filha ainda sofre com o trauma, tendo dificuldades para falar sobre o assunto. A violência ocorreu em frente à sua casa, após o ex-marido retornar da visita da filha, momento em que efetuou os disparos que a atingiram no abdômen e no rosto, resultando na perda do baço, parte do fígado e o ovário esquerdo. “Carrego essas marcas até hoje. Tanto físicas quanto emocionais. Sei muito bem o que é”, desabafou durante o ato “Na Rua por Mulheres Vivas!”, em Copacabana.
Apesar do apoio de grupos e coletivos de mulheres, Evelyn lamenta a ausência de suporte do Estado para sua recuperação. “Recebi apoio de pessoas e não de organizações e nem do governo. Não recebi nenhum tipo de ajuda, nenhum tipo de ligação, não recebi apoio psicológico, financeiro, nada. Tive que me reerguer com meios próprios”, desabafou. Ela também expressou sua indignação ao descobrir que o agressor, que chegou a ser preso, foi solto em 2024 sem que ela fosse notificada. “Ele está solto desde 2024 e ninguém me avisou”, disse.
Vanderlea Aguiar, que faz parte da rede de apoio de Evelyn, ressalta a importância de amparar mulheres em situações de violência, afirmando: “Apoiar a Evelyn e as mulheres é dizer que a gente está viva, sobrevivendo e, mais do que isso, é dizer chega e que a gente não aguenta mais. Que a gente é dona das nossa vida, sim”.
Adriana Herz Domingues, coordenadora do Coletivo Juntas, destaca o aumento dos casos de feminicídio e a necessidade de investimentos em uma rede de acolhimento. Para ela, é crucial promover debates sobre violência contra a mulher nas escolas e no Sistema Único de Saúde, além de garantir o funcionamento adequado das Casas das Mulheres.
Durante o ato em Copacabana, a professora aposentada Deise Coutinho, representando o sindicato da categoria, protestou contra o feminicídio, colocando girassóis ao lado de cruzes pretas, simbolizando as vítimas. “Girassol é uma flor que se levanta, é o lema. Nós nos levantamos para lutar, para acabar com essa matança das mulheres”, declarou.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-12/mulheres-protestam-contra-feminicidio-e-pedem-maior-presenca-do-estado
