Ato contra feminicídio mobiliza multidão na Avenida Paulista por leis mais severas e fim da misoginia
© Rovena Rosa/Agência Brasil
Milhares de pessoas, entre mulheres e homens, tomaram a Avenida Paulista em São Paulo neste domingo em um grande ato contra o feminicídio e a violência de gênero. A manifestação, marcada por faixas e discursos inflamados, clamou pelo fim da violência contra as mulheres, demandando punições mais rigorosas para crimes motivados por misoginia e um combate eficaz ao discurso de ódio.
O evento trouxe à tona discussões sobre questões estruturais que perpetuam a violência de gênero, abordando temas como legislação, liberdade e respeito. A professora Jessica Torres, de 39 anos, ressaltou a importância de tornar visível como “a misoginia fere o direito da mulher de existir, a nossa verdade de viver. Eu acho que tudo começa aí. Ela é tudo que fere a liberdade da mulher”.
Torres defende que a temática seja abordada desde o ensino infantil, utilizando livros e atividades lúdicas para demonstrar atitudes misóginas, visando construir uma sociedade mais livre e igualitária. A pedagoga Fernanda Prince, que trabalha com crianças de 6 a 8 anos, compartilha dessa visão, enfatizando a facilidade com que os pequenos compreendem o tema e a importância de desconstruir estereótipos de gênero presentes até mesmo em brinquedos e cores. Exausta com a crescente onda de feminicídios e discursos de ódio, Prince declarou: “Eu acho que não tem mais como não vir pra rua”.
Maria das Graças Xavier, militante do movimento de moradia, mobilizou um grupo para participar do protesto, destacando a urgência de combater o machismo estrutural e o patriarcado. “Esse ato foi uma chamada das mulheres, feita em menos de 10 dias, nacionalmente, em todos os estados”, afirmou Graça, que enfatizou a necessidade de o Estado promover campanhas e políticas públicas eficazes contra a violência, especialmente nas periferias, onde a violência contra a mulher é uma realidade constante.
Durante a manifestação, cartazes exigiam leis mais severas contra o feminicídio. A comerciante Lilian Lupino, de 47 anos, denunciou a cultura de opressão às mulheres e a impunidade que protege os agressores: “Os homens se sentem protegidos por falta de leis severas de punição”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-12/basta-ao-feminicidio-e-o-grito-do-levante-de-mulheres-em-sao-paulo
